Leite: alta internacional e entressafra elevam cotações em São Paulo

Preços recebidos pelo produtor mostraram alta superior em relação ao varejo, segundo levantamento do IEA

por Estadão Conteúdo

João Marcos Rosa

Expectativa é de elevação das cotações até o fim da entressafra, em novembro, tanto para o leite quanto para os derivados (Foto: João Marcos Rosa/Ed. Globo)

Os preços do leite no Estado de São Paulo começaram a subir com o início da entressafra, em maio. No varejo, os aumentos em relação ao mês de abril alcançaram 3,1% para o leite UHT (longa vida), 3,4% para o leite C e 1,3% para o leite B. Levando em conta o acumulado de 12 meses, a alta do longa vida alcança 15,2%, do leite C, 13,7%, e do leite B, 10,1%. O levantamento é do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento.
Para o produtor, os preços recebidos levantados pelo IEA mostraram alta superior em relação ao varejo. Em abril, o leite C teve alta de 8,33% e o leite B, 5,2%. No acumulado de 12 meses, os preços do produtor subiram 8,3% e 9,7% para os leites C e B, respectivamente.
A pesquisadora do IEA, Rosana de Oliveira Pithan e Silva, informou em comunicado que a alta do varejo até ficou aquém do esperado, provavelmente por causa da pressão do setor supermercadista. Segundo ela, apesar disso, a expectativa é de elevação das cotações até o fim da entressafra, em novembro, não só para o leite como para os seus derivados.
Rosana acrescentou que a forte onda de frio desta semana deve piorar ainda mais a situação das pastagens nos Estados do Sul e do Sudeste, contribuindo para altas mais expressivas nos preços. Com pastagens comprometidas, o produtor tem de suplementar a alimentação do gado, elevando os custos.
Embora a alta de preço seja justificada pelo início da entressafra do produto, alguns fatores vêm influenciando esses aumentos, comentou Rosana. Um deles é a redução da oferta no mercado internacional. Os principais exportadores de lácteos tiveram uma redução da produção, com destaque especial para a Nova Zelândia, maior exportadora mundial de leite, por causa da estiagem.
Conforme Rosana, outro fator é o aumento da demanda internacional pelo produto, com destaque para a China, onde se espera um crescimento da ordem de 50% nas importações. Os parceiros do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai, principais exportadores do produto para o Brasil, também apresentam diminuição na produção.

Fonte: Globo Rural