La Niña pode impulsionar ciclo de alta nos grãos, diz analista em MS

Alexandre Mendonça de Barros ministrou palestra no Confinar 2016.
Ele diz que mercado está pressionado por redução da safra sul-americana.

Alexandre Mendonça de Barros ministrou palestra em Campo Grande nesta quarta-feira (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Barros ministrou palestra em Campo Grande nesta
quarta-feira (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

A grande possibilidade da ocorrência do fenômeno climático La Niña pode causar um grande impacto na produção mundial de grãos nos próximos meses, impulsionando um ciclo de alta nos preços de commodities como a soja e o milho. A avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira (1º) pelo doutor em Economia Aplicada, membro do conselho superior do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, durante o Simpósio de Gado de Corte – Confinar, no centro de convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.

Segundo Barros, o La Niña provoca o esfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico, o que influencia no clima de diversos países no mundo. Ele explicou que se for confirmada a ocorrência do fenômeno, que atualmente tem probabilidade de mais de 60%, e ele atingir os Estados Unidos, principal produtor mundial de soja e milho, entre os meses de julho e agosto, na época de enchimento dos grãos, pode provocar um impacto considerável na safra da oleaginosa e do cereal.

“Já se atingir os EUA em setembro não vai ter tanto impacto, porque já será a época de colheita de grãos e vai até contribuir”, aponta Barros, completando que no Brasil o fenômeno deve provocar um aumento de temperatura e estiagem nas regiões sul, sudeste e centro-oeste e mais chuva no norte e nordeste do país.

Somado ao fator La Ninã, ele aponta que o mercado mundial de grãos já começa a registar um aumento dos preços destes produtos em razão da redução da expectativa de produção na América do Sul, onde países como o Brasil e Argentina, sentido os efeitos de outro fenômeno climático, o El Niño, registraram quebras de safra em razão do excesso de volume de chuvas. “Na Argentina se esperava uma safra acima das 60 milhões de toneladas e deve fechar com um valor entre 53 milhões de toneladas e 55 milhões. No Brasil o número mais recente da Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] é de aproximadamente 97 milhões de toneladas, sendo que no início da safra se falava em mais de 100 milhões de toneladas”, explica.

Em razão desse contexto, Barros destaca que a Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, principal centro de comercialização da commoditie no mundo, que estava trabalhando com cotações da soja em torno dos US$ 8,5 o bushel (medida equivalente a 27,21 quilos) no início do ano já estão vendendo a oleaginosa na casa dos US$ 10,5 o bushel. “Já existe uma projeção da redução da oferta mundial, em decorrência da redução das expectativas quanto a safra sul-americana. Se o La Niña atingir as lavouras dos EUA em julho e agosto, deve acelerar ainda mais essa virada e os preços vão subir para cima dos US$ 12 o bushel para a soja, deixando para trás os últimos dois anos de ajustes para baixo nas cotações”, analisa.

A alta nos preços dos grãos deve influenciar, conforme o sócio-consultor da MB Agro, diretamente o mercado de proteína animal, que é grande consumidor destes produtos para a produção de ração animal, provocando elevações de preços nas carnes bovina, suína e de aves, que a exemplo das commodities agrícolas também sofreram nos últimos anos com a redução nos valores das cotações.

No Brasil, ele aponta que os criadores já estão enfrentando problemas com a alta das cotações destes produtos e comenta que além da elevação dos preços no mercado internacional, a desvalorização do real frente o dólar impulsionou as exportações diminuindo a oferta no mercado local.

“No caso da soja, tínhamos um estoque de passagem da safra passada para a atual de 793 mil toneladas e neste ciclo devemos produzir em torno dos 97 milhões de toneladas. Dessa produção 42,5 milhões de toneladas são para o consumo interno e 55 milhões de toneladas estão sendo exportadas, de modo que terminaremos o ciclo de passagem com um estoque menor do que o que tínhamos, em torno das 498 mil toneladas, e isso pressiona o mercado”, comenta.

Anderson ViegasDo G1 MS

Fonte : Globo