Kepler faz novo plano para elevar exportação

A Kepler Weber, maior fabricante brasileira de silos e equipamentos para armazenagem de grãos, começou a desenvolver um projeto de internacionalização de fornecedores para aumentar a competitividade e o volume de suas exportações. Olivier Colas, vice-presidente da empresa, disse que o plano é montar uma rede de parceiros locais nos principais mercados atendidos para adquirir deles componentes de menor conteúdo tecnológico, como estruturas metálicas, mas que apresentam custo elevado de transporte.

Segundo Colas, a estratégia ajudará a empresa a perseguir o "potencial" existente para até triplicar as exportações em cinco anos. Além da redução dos custos com fretes, o modelo dará mais segurança aos clientes (distribuídos em 20 a 30 países da América do Sul, África, Oriente Médio e Leste Europeu) sobre a intenção da Kepler de manter presença permanente nesses mercados. Em 2013, as vendas externas representaram 13% da receita líquida da empresa, que foi de R$ 594,8 milhões.

O primeiro fornecedor externo aprovado para a "fase piloto" do projeto fica no Egito, mas a busca será reforçada em 2015. Conforme Colas, o trabalho inclui a identificação e a avaliação da capacidade do parceiro de entregar componentes no prazo acertado e com a qualidade exigida.

A ideia da empresa é que cada um dos atuais representantes no exterior faça o acompanhamento local de todo o processo, o que também vai "diferenciar" a Kepler dos concorrentes, disse o vice-presidente. Os fabricantes americanos não usam essa prática. Os europeus, sim, mas eles oferecem produtos bem mais sofisticados e caros do que os brasileiros, comentou o executivo.

De acordo com Colas, o objetivo principal não é ampliar margens, mas aumentar o volume das vendas externas para diminuir a dependência do mercado agrícola brasileiro, que responde por 75% a 80% do volume físico faturado anualmente. "Não vamos reduzir as vendas ao mercado interno, e sim ampliar exportações". A empresa também vende equipamentos para movimentação de granéis, peças e serviços.

Junto com o plano de internacionalização, a Kepler quer ampliar o grau de automação dos produtos. Equipamentos individuais, como secadores e máquinas de limpeza de grãos, começarão já em 2015 a incorporar comandos eletrônicos para controle de umidade e de consumo de energia, por exemplo. A partir de 2018, a meta é oferecer linhas completamente automatizadas, incluindo as máquinas para movimentação dos produtos agrícolas.

Os novos equipamentos terão maior valor agregado, mas inovações serão introduzidas para proporcionar reduções de custos operacionais perceptíveis aos clientes, disse o executivo. Além disto, desde 2012 as linhas de produção da empresa em Panambi (RS) e Campo Grande (MS) passam por um processo de automação para elevar a produtividade sem ampliação significativa do quadro de funcionários, hoje na faixa dos 2,5 mil, segundo Colas.

Para o vice-presidente, os resultados recentes da companhia, que teve lucro semestral recorde de janeiro a junho deste ano, com ganhos de R$ 48,8 milhões (182% mais que em igual período de 2013), são alguns dos fatores que têm contribuído para a valorização dos papéis da Kepler na BM&FBovespa. Desde o início do ano até sexta-feira, a alta acumulada das ações da empresa ficou em 8,26% – apesar da queda generalizada do mercado nas últimas sessões

"A empresa está investindo, entregando resultados e voltou a pagar dividendos em 2012". No dia 5, ela também encerrou uma longa discussão com a BNDESPar sobre o preço de exercício atribuído aos bônus de subscrição vinculados a uma emissão de debêntures em 2007. Com o acordo, fechado em R$ 36,88 por ação, o braço de participações do BNDES pode exercer, até 2021, o direito de conversão dos títulos em participação acionária que lhe garantiria 8,6% do capital da empresa.

Segundo Colas, o BNDESPar já converteu 0,5% dos bônus em uma participação "simbólica" entre 0,3% e 0,4%, o que demonstra confiança da instituição na empresa. O entendimento também eliminou uma indefinição que afastava os investidores, disse o executivo, para quem a valorização da empresa também está relacionada a fatores como o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), do governe federal, que "duplicou" o mercado de armazenagem no país.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre