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Jornada Nespro foca na reprodução animal

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Experiências australiana e norte-americanas foram apresentadas ontem no segundo dia do evento, na Capital

THAIS RANZI/DIVULGAÇÃO/JC

Alto custo do milho e estiagens têm reduzido o rebanho nos EUA, diz Ahola

Alto custo do milho e estiagens têm reduzido o rebanho nos EUA, diz Ahola

A experiência australiana na área pecuária  foi um dos temas abordados ontem no segundo dia do 1º Simpósio Internacional sobre Sistemas de Produção de Bovinos de Corte do Nespro,  em Porto Alegre. Com base numa análise com 260 mil reprodutores de diversas raças, o pesquisador Geoffry Fordyce, da Universidade de Queensland, o pesquisador chegou à conclusão de que a idade dos exemplares não deve ser utilizada para medir a circunferência escrotal. O indicador ideal é o peso. Na mesma avaliação, a média das circunferências ficou entre 26 e 40 centímetros. “Essa é uma diferença que não deve ser desprezada”, avaliou Fordyce. Em geral, na Austrália, animais com circunferência escrotal muito grande não são recomendados como reprodutores.
Outro ponto alto abordado na palestra do pesquisador australiano foi o questionamento a respeito do número ideal de touros para cobrir as vacas na estação de monta. A tendência que vige atualmente no país dos cangurus é colocar touros com melhores índices e reduzir o número em relação ao total do rebanho. “Os touros são muito territoriais e competitivos. Uma quantidade excessiva de reprodutores pode fazer com que os bons não emprenhem as vacas, mas daí por uma questão de competição entre touros.” Na avaliação de Fordyce, o número de touros ideal não pode ultrapassar de 1% a 2% do rebanho. Num percentual de 3,5%, já começa a haver muita competição na monta natural.
Já a palestra do pesquisador norte-americano Jason Ahola, da Colorado State Universit,  foi focada no funcionamento da pecuária americana. Nos EUA, 80% das fêmeas concebem entre abril e maio, sendo que 20% parem entre março e abril, em algumas regiões, como o estado de Colorado, com neve ainda no solo. “Alguns pecuaristas antecipam o nascimento para maximizar o peso ao desmame. Contudo, têm que gastar mais com alimentação, pois o aleitamento durante o período de neve exige mais das vacas.” Conforme ele, porém, há produtores que estão mais em sincronia com o clima. Segundo essa lógica, os pecuaristas estariam mais interessados no retorno financeiro, e menos no ganho de peso a custa de gasto maior com nutrição.
O custo do milho, a principal matéria-prima dos confinamentos nos Estados Unidos, cresceu nos últimos anos em função do estímulo que o governo norte-americano dá ao etanol. Esse fenômeno, somado à ocorrência de secas, teria provocado uma redução do rebanho bovino dos Estados Unidos.
Diante disso, de acordo com Ahola, os pecuaristas americanos estão preocupados em melhorar o gerenciamento de pastagem. “Ao invés de enviar o terneiro direto para o confinamento ao desmame, muitos estão aproveitando a oferta de pasto antes do inverno.” Sob o clima dos Estados Unidos, é fundamental manter a condição corporal das vacas no escore 5. O evento segue até hoje na Reitoria da Ufrgs.

Fonte: Jonal do Comércio