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João Lyra venderá ativos para pagar dívidas

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O deputado federal João Lyra (PSD-AL) pretende vender parte de seu patrimônio para levantar recursos e sanar uma fatia das dívidas do grupo que leva seu nome, um dos três maiores do segmento sucroalcooleiros de Alagoas. A empresa entrou em recuperação judicial em junho de 2009 e vem atrasando o pagamento de compromissos acordados no plano. Conforme o diretor da área de Controle do Grupo Lyra, Cícero Marcolino da Silva, a meta é capitalizar a empresa em R$ 100 milhões com a venda, sobretudo de terrenos.

Entre eles está um lote de 130 mil metros quadrados, avaliado em R$ 80 milhões, em uma das principais avenidas de Maceió, disse Marcolino. O terreno, afirma, foi comprado há dez anos por R$ 4 milhões. "Negociações com dois compradores já estão em curso e o objetivo é fechar o negócio neste mês", afirmou ele.

Outros terrenos adjacentes a esse, que é maior, também estão sendo negociados. Eles somam uma área de 60 mil metros quadrados e foram avaliados em R$ 50 milhões, segundo Marcolino. A última possibilidade é a venda dos ativos – aeronaves e helicópteros – da Lug Taxi Aéreo, na qual João Lyra tem participação de 75%.

O diretor do grupo diz que as dívidas totais alcançam R$ 1 bilhão, dos quais R$ 100 milhões referem-se a débitos mais urgentes com funcionários, fornecedores de cana, arrendatários. A empresa pretende levantar a totalidade dos R$ 100 milhões até agosto e, após sanar esses débitos, pretende voltar a requerer na Justiça a aprovação da repactuação do primeiro plano de recuperação, cujos pagamentos seguem até a safra 2020/21.

Além de ter sido pego no contrapé pela crise de 2008, o grupo teve sua principal usina, a Laginha, localizada em município alagoano de mesmo nome, afetada pela enchente de 2010, que praticamente a destruiu. A empresa alega na Justiça que a recuperação da unidade demandou recursos de R$ 40 milhões e que não houve nenhum financiamento de longo prazo para recuperar o ativo. Mesmo diante desse imprevisto, a empresa afirma ter pago a seus credores aproximadamente R$ 111 milhões em dois anos.

Na última safra (2011/12), o grupo, que já chegou a moer 5,5 milhões de toneladas de cana, processou 2,8 milhões de toneladas em suas cinco usinas – três em Alagoas e duas em Minas Gerais (Triângulo Mineiro). A empresa não iniciou a moagem de cana nas duas unidades mineiras por falta de pagamento de fornecedores e arrendatários. A expectativa é quitar esses débitos e, imediatamente, iniciar a safra no Centro-Sul.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo