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J&F busca uma solução negociada com BNDES

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A J&F Investimentos, holding da família Batista, quer sentar à mesa de negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Às vésperas da assembleia geral extraordinária de acionistas que poderá decidir o futuro de Wesley Batista à frente da JBS, a holding contratou o banco BR Partners para mediar as conversas. A BNDESPar, braço de participações do banco estatal, tem participação de 21,3% na JBS. Procurados, J&F, JBS e BR Partners não comentaram.

O Valor apurou que a BR Partners já está à disposição inclusive para uma reunião presencial o mais breve quanto possível com a BNDESPar. Presidida por Ricardo Lacerda, a BR Partners tem experiência em grandes conflitos societários. No passado, assessorou o grupo francês Casino na disputa com o empresário Abilio Diniz. Lacerda também atuou, do lado de Citibank e Telecom Italia, da disputa com o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.

Na manhã de ontem, a JBS se manifestou contrariamente à saída de Wesley Batista da presidência da empresa. Em fato relevante enviado à CVM, o conselho de administração avaliou como "prematura" a saída do executivo.

Num documento de nove páginas, a JBS respondeu à antecipação do voto que a BNDESPar dará na assembleia marcada para o dia 1º de setembro. Em 14 de agosto, o braço de participações do BNDES informo que defenderá que a JBS processe Wesley e Joesley Batista, além dos demais executivos que firmaram o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Caso os acionistas aprovem ajuizar a ação civil, Wesley Batista teria de deixar a função de presidente da JBS imediatamente. A avaliação da companhia é que isso poderia colocar por terra os esforços empreendidos desde que a delação veio à tona.

"É certo que a adoção de medidas prematuras e disruptivas poderiam acarretar efeitos negativos", sustentou a companhia. No fato relevante, a JBS também destacou o papel do empresário no processo de renegociação das dívidas de curto prazo da JBS no Brasil, além do avanço no plano de desinvestimentos. A JBS pretende obter R$ 6 bilhões com a venda de ativos para reduzir sua dívida.

Fontes próximas à empresa também destacaram que, no mercado, a permanência de Batista é bem vista. As ações da JBS subiram 2,48% ontem – maior alta do Ibovespa -, depois de o conselho de administração da empresa defender a permanência do empresário.

A expectativa é que, se a BNDESPar aceitar conversar, Wesley Batista continue pelo menos como membro do conselho executivo. Essa alternativa, inclusive, chegou a ser sinalizada pelo presidente do banco estatal, Paulo Rabello de Castro, em entrevista a jornalistas em 7 de agosto – portanto, ainda antes da antecipação de voto da BNDESPar.

Se não conseguir um armistício com a BNDESPar para evitar uma "guerra" da assembleia, a J&F entende estar calçada juridicamente. Para a JBS, "estão ausentes todos os elementos jurídicos" para a imputação de responsabilidade ao empresário.

De acordo com a companhia, é preciso comprovar os atos ilícitos, o nexo de causalidade e os danos efetivamente sofrido. Em outras palavras, é preciso calcular a eventual perda causada por Wesley ou pelos outros delatores, o que, pelos termos do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal (MPF), ainda deverá ser apurado por investigação que pode durar até 180 dias.

Críticos afirmam, no entanto, que esse argumento não é válido, já que, ao delatarem, os irmãos Batista confessaram crimes. Além disso, argumentam, a constituição de provas acontece durante o processo, e não após a instauração. Por isso, a necessidade de ajuizar ação contra eles.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor