JBS negocia fluxo futuro de pagamento de dívida

Depois de acertar, em julho, um acordo de estabilização de dívidas que definiu a rolagem de R$ 20,5 bilhões por 12 meses, a JBS reiniciou as conversas com bancos no Brasil para negociar as condições dos passivos a partir de julho de 2018. A avaliação de fontes próximas à empresa é que as conversas foram retomadas com a empresa em melhores condições, uma vez que já reduziu o passivo renegociado em mais de R$ 4 bilhões.

A retomada das negociações com os bancos é encarada como "natural" por fontes que acompanham o dia a dia da JBS. Como o acordo de estabilização foi feito no "calor da hora", dada a premente necessidade de repactuação após a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a JBS e os bancos não discutiram a renovação de créditos após 2018. É o que está em jogo agora.

As novas tratativas com os bancos devem ser menos tensas do que as anteriores, afirmou uma fonte a par do assunto. A avaliação é que não será preciso "reduzir o valor do principal", diferentemente do que aconteceu no acordo fechado em julho. Procurada, a JBS não comentou.

No acordo de estabilização, a JBS se comprometeu a amortizar 10% do principal (cerca de R$ 2 bilhões) em quatro parcelas trimestrais, além de utilizar 80% do montante obtido com o programa de desinvestimentos. O objetivo da companhia é angariar R$ 6 bilhões com a venda de ativos, dos quais cerca de 70% já foram angariados com a venda da irlandesa Moy Park para a controlada americana Pilgrim’s Pride.

A JBS também aceitou metas para a redução do índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda). Esse índice, que estava em 4,16 vezes no fim de junho, precisa ficar abaixo de 3,5 vezes no fim de 2018.

Em todo o caso, a JBS já demonstrou otimismo com o cumprimento do acordo. "Vamos surpreender o mercado com redução de alavancagem já no terceiro trimestre", disse o então CEO global da JBS, Wesley Batista, em teleconferência em agosto. Wesley, que está preso preventivamente por suspeitas de uso de informações privilegiadas em operações financeiras, projetava bater a meta para o próximo ano ainda em 2017.

Apesar da prisão do empresário, a avaliação é que o cenário de negócios traçado por ele não mudou, e os Estados Unidos devem facilitar a redução de alavancagem. Além disso, a empresa obteve cerca de US$ 1 bilhão com a venda de subsidiária irlandesa Moy Park para a Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS nos EUA.

Somada aos recursos que receberá da mexicana Lala pela venda da Vigor – a JBS tem 19% da empresa de lácteos -, a dívida original de R$ 20,5 bilhões com os bancos já caiu para algo entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões, estimou uma fonte.

Paralelamente às conversas com os bancos, a JBS trabalha para resolver outras pendências decorrentes da delação dos irmãos Batista. Entre elas, está a obtenção do balanço assinado pelo auditor. Fontes próximas à JBS acreditam que tudo estará resolvido até março – e com alguma tranquilidade. Março é o prazo máximo, visto que a JBS precisará obrigatoriamente contar com o balanço anual auditado. Nos balanços trimestrais, não há obrigatoriedade.

 

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor