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JBS fecha, por três dias, 33 de suas 36 unidades de abate

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Ana Paula Paiva/Valor

No complexo da JBS em Lins, no interior do Estado de São Paulo, outras operações continuarão em curso normalmente

Maior empresa privada não financeira do Brasil, com receita líquida total de R$ 170 bilhões em 2017, a JBS anunciou ontem a suspensão, por três dias, da produção de carne bovina em 33 de suas 36 unidades dedicadas a essa atividade no país. A companhia informou que, a partir do início da semana que vem, as operações serão retomadas em todas as plantas que foram fechadas, mas com uma redução de 35% das respectivas capacidades produtivas.

"Essas medidas visam a ajustar a produção até que se tenha uma definição referente aos embargos impostos pelos países importadores da carne [bovina] brasileira", divulgou a empresa, em comunicado. Esses embargos começaram a ser anunciados depois de deflagrada, na sexta-feira passada, a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que investiga casos de corrupção entre fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos.

Apesar de a operação estar apurando irregularidades sobretudo em unidades de carnes de frango e suína, as barreiras que se seguiram hoje já envolvem países que absorveram mais de 50% das exportações brasileiras de carne bovina em 2016. Estima-se que as exportações totais de carnes do país serão cerca de US$ 1,5 bilhão menores este ano por causa disso. Nos últimos 12 meses até fevereiro, os embarques somaram quase US$ 15 bilhões.

No comunicado, a JBS ressalta que está empenhada na manutenção do emprego de seus 125 mil colaboradores em todo o Brasil". Isso não significa que todos esses funcionários trabalhem com carne bovina. No total, a empresa tem mais de 120 unidades produtoras no país, também dedicadas à produção de carnes de aves e suínos, produtos processados e industrializados (a marca Seara pertence à JBS), biodiesel e itens de higiene, entre outros.

Nas unidades paradas, os funcionários desenvolvem desde ontem atividades de capacitação. Em todos os mercados nos quais atua (Brasil, EUA, Europa, Austrália, México, Argentina, Canadá, Chile, China, Paraguai e Uruguai e Vietnã), a JBS tem 237 mil funcionários.

A produção de carne bovina permanece ativa apenas nas unidades de Diamantina (MT), Anastácio (MS) e Itapetinga (BA), com foco no mercado doméstico. E não são apenas a JBS e empresas exportadoras de proteínas animais como BRF, Marfrig e Minerva que estão sendo "espremidas" pelos embargos levantados. Pecuaristas e criadores de frango também já sentem o baque da redução da demanda por parte dessas e muitas outras empresas do segmento no país. Por conseguinte, a situação gera preocupação em dezenas de municípios espalhados pelo país.

Segundo Israel Alfonso, Secretário de Desenvolvimento de Lins, no interior paulista, a notícia do fechamento da unidade de abates do complexo instalado pela JBS no município, não chegou a ser uma surpresa, dado vulto do desdobramento da operação da PF. "É algo que nos preocupa, claro, porque com essa crise cada emprego é um emprego", afirmou Alfonso.

Ele minimiza, no entanto, o impacto da decisão da JBS na cidade. "Aqui em Lins o abate é apenas uma parte, ainda que importante. Com a queda na produção pecuária no Estado de São Paulo, a companhia fez de Lins uma unidade para novos negócios. Então, além do abate a JBS tem unidades de sabonetes, biodiesel, latas e energia com biomassa" O abate é só mais uma". No total 7 mil funcionários trabalham na JBS em Lins.

  • Por Fernando Lopes, Bettina Barros e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
  • Fonte : Valor