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JBS e BRF reforçam estratégias de esclarecimento

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O diretor de Assuntos Corporativos da JBS nos Estados Unidos, Cameroun Bruett, afirmou ontem que a companhia não está preocupada com a possibilidade de as autoridades americanas da área de agricultura tomarem medidas contra as exportações de carne proveniente do Brasil devido à Operação Carne Fraca. Segundo ele, a companhia está confiante na segurança dos alimentos que comercializa e não foi acusada de cometer irregularidade com seus produtos.

"Nenhuma das nossas plantas foi fechada. Não fomos acusados de carne contaminada", disse Bruett, em evento no Congresso americano. O diretor afirmou que não recebeu nenhuma manifestação de preocupação do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). "Estamos completamente confiantes na segurança de nossos alimentos e no nosso sistema de controle de produtos. Estamos completamente confiantes com a nossa equipe. Se descobrirmos que algum empregado cometeu alguma irregularidade, vamos tomar medidas imediatamente".

Segundo ele, a operação deverá ter impacto reduzido quando colocada em perspectiva. "O Brasil tem mais de 4,7 mil plantas frigoríficas e estamos olhando para uma operação de dois anos que resultou na investigação de 21. Dessas, só seis exportaram nos últimos 60 dias".

Também ontem, a BRF enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclarecendo pontos sobre a operação. A empresa afirma que sua fábrica localizada em Mineiros (GO), que foi alvo da ação, produz carne de frango e de peru para o mercado interno e externo e responde por menos de 5% de sua produção total. "A planta está habilitada para exportar para os mais exigentes mercados do mundo, como Canadá, União Europeia, Rússia e Japão, seguindo as diferentes normas estipuladas por esses países", diz a nota.

A BRF esclareceu também que a fábrica ficará fechada a pedido do Ministério da Agricultura até que a empresa possa prestar informações que atestem a segurança e a qualidade dos itens lá produzidos. Sobre a presença de salmonella nos produtos, o documento afirma que existem 2,6 mil tipos dessa bactéria, comum em produtos alimentícios de origem animal ou vegetal, e que são facilmente eliminados com o cozimento adequado dos alimentos.

Com esses esforços, além dos aportes milionários em marketing no Brasil, a JBS, que tem metade de seu faturamento nos EUA, reverteu a tendência de queda de suas ações na BM&FBovespa. Os papéis da BRF, que também lançou uma ofensiva de marketing, registraram queda menor que na sexta-feira, ao passo que as ações dos frigoríficos Marfrig e Minerva, que não estão citados na operação, caíram em virtude das barreiras anunciadas às exportações brasileiras em geral.

Por Juliano Basile e Fernanda Pressinott | De Washington e São Paulo

Fonte : Valor