.........

JBS confirma lucro no 4º tri e anuncia aquisição nos EUA

.........

Silvia Costanti/Valor

Wesley Batista, CEO da JBS: ciclo da pecuária está mais favorável nos EUA

Impulsionada pela recuperação dos negócios de carne bovina nos EUA, a JBS reportou ontem um lucro líquido de R$ 693,9 milhões no quarto trimestre do ano passado, resultado bem melhor que o registrado em igual intervalo de 2015, quando a empresa brasileira amargou prejuízo de R$ 275,1 milhões.

O desempenho ficou ligeiramente acima das estimativas dos analistas compiladas pelo Valor. A média das projeções de Santander, J. P. Morgan, Morgan Stanley, BTG Pactual, Itaú BBA e Bradesco BBI para o lucro da empresa era R$ 677,08 milhoes.

No acumulado de 2016, porém, o lucro líquido da JBS caiu 91,9%, para R$ 376 milhões. Essa redução se deve, principalmente, às perdas com hedge cambial que levaram a um prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre do ano.

Devido ao impacto da apreciação real sobre as receitas das operações no exterior e das exportações, a receita líquida da JBS totalizou R$ 41,6 bilhões no quarto trimestre, queda de 11,7% ante os R$ 47,1 bilhões reportados no mesmo período de 2015. Em todo o ano passado, a receita líquida da JBS, que ostenta o título de maior companhia privada não-financeira do país, atingiu R$ 170,4 bilhões, alta de 4,6% sobre os R$ 162,9 bilhões do ano anterior.

Na área operacional, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou praticamente estável no quarto trimestre – queda de 0,6% na comparação anual -, chegando a R$ 3,1 bilhões. No acumulado de 2016, o Ebitda da empresa recuou 15,1%, a R$ 11,3 bilhões.

Refletindo o melhor resultado nos EUA, a margem Ebitda teve incremento de 0,9 ponto no quarto trimestre, passando de 6,6% para 7,5% na comparação anual. "Nos EUA iniciou-se um ciclo de maior disponibilidade de gado para abate, o que se refletiu em uma melhora substancial dos resultados", afirmou o CEO global da JBS, Wesley Batista, no relatório que acompanhou o balanço.

A melhora do negócio de bovino nos Estados Unidos é expressiva. No último trimestre de 2016, o Ebitda dessa área totalizou US$ 387,6 milhões. Um ano antes, a JBS USA Carne Bovina havia registrado Ebitda negativo de US$ 25,2 milhões. Nessa mesma base de comparação, a margem Ebitda da divisão também disparou, de 0,5% negativo para 7,3%.

Ainda nos EUA, o Ebitda do negócio de suínos totalizou US$ 171,5 milhões no quarto trimestre, avanço de 21,4%. A margem, ainda em patamar elevado, caiu de 13% para 12,5% nessa mesma base de comparação. Ontem, a JBS também anunciou a expansão no segmento de suínos, com a compra da Plumrose, por US$ 230 milhões. A empresa, que pertence à DanishCrown, produz bacon, presunto, carne fatiada e cortes suínos.

No Brasil, a JBS também foi afetada pela disparada dos preços do milho e pela recessão, o que afetou o desempenho da Seara, divisão de aves, suínos e alimentos processados. No quarto trimestre, a Seara teve um Ebitda de R$ 298,9 milhões, redução de 67,7%. Com isso, a margem Ebitda da Seara caiu de 17,3% para 6,4%.

 

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor