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JB Duarte parte para a produção de madeira

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Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
Laodse de Abreu Duarte: "Já estamos de olho em outros projetos nessa área"

Com origens quase centenárias e duas grandes mudanças de foco ao longo de sua trajetória, a JB Duarte, com sede na capital de São Paulo, deflagrou uma nova reviravolta em seus negócios. A partir de uma experiência inicial em Bom Jesus de Pirapora e da recente aquisição de uma fazenda em São José dos Campos, dois municípios localizados no sudeste paulista, a empresa consolidou sua aposta na produção de eucalipto e bambu para se firmar no mercado de madeiras para serraria.

Constituída em 1914 como "José Baptista Duarte", a então fabricante de produtos químicos para a indústria têxtil passou pela primeira mudança em 1936, quando tornou-se a sociedade anônima "Indústrias JB Duarte S/A, começou a produzir óleos vegetais para fins alimentícios e industriais e ficou conhecida pela marca Maria, já há muitos anos nas mãos da Cargill. Abriu o capital em 1985 e, depois da forte concentração desse segmento no país, na década de 90, iniciou aportes em "start ups" e "private equity", já esvaziados.

Em 2009, constituiu o braço New Realty e comprou uma área de 300 mil metros quadrados em Cabreúva, também no sudeste de São Paulo, para desenvolver um projeto imobiliário que prevê aportes de até R$ 9 milhões em lotes e infraestrutura, mas que ainda depende de discussões envolvendo o plano diretor do município. Há um ano, começou a se dedicar mais a um plantio de eucaliptos já existente em parte de uma fazenda própria de 472 hectares em Pirapora do Bom Jesus, que poderá gerar um projeto de investimentos de R$ 8 milhões e incluir também bambu, além de serviços de logística. E, em agosto passado, acertou as bases para o desenvolvimento da fazenda de São José dos Campos.

Ali estão depositadas as principais fichas da empresa. Dos R$ 12 milhões investidos na aquisição da propriedade, explica Edison Cordaro, diretor de relações com investidores da JB Duarte, R$ 7,7 foram liquidados com recursos próprios e o restante será pago em oito parcelas anuais corrigidas pelo IGP-M. A fazenda, de 345 hectares já foi assumida com 50 hectares plantados com bambu, e o plano de negócios da empresa prevê que os 157 hectares aproveitáveis restantes abriguem o plantio de eucalipto, também de olho na indústria moveleira.

Esse plano contempla a implantação de 2 mil árvores por hectare, que, em um período de 20 anos, deverão atingir um diâmetro médio de 30 a 35 centímetros e serão capazes de gerar um volume de madeira para serraria de cerca de 1,8 mil metros cúbicos por hectare. Galhos e pontas que sobrarem também serão aproveitados para a produção de lenha ou carvão. Conforme Laodse de Abreu Duarte, superintendente da JB e neto do fundador da empresa, o objetivo é contar com equipamentos para uma "pequena industrialização" do eucaplito e do bambu. Em duas décadas, a companhia espera que a receita oriunda do projeto alcance R$ 57 milhões por ano.

Nesse período, estima Duarte, os gastos anuais com a manutenção do projeto deverão variar de R$ 500 mil a R$ 600 mil. Assim, na equação da empresa, o retorno previsto chega a 14% ao ano. "Já estamos de olho em outros projetos nessa área". Com a fatia de 50% que mantém em uma provedora de internet e aplicações financeiras, a JB lucrou pouco mais de R$ 1 milhão de janeiro a junho.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo