Japão reabre mercado a carne termoprocessada do Brasil após três anos

O Ministério da Agricultura informou na sexta-feira que o governo do Japão anunciou o fim do embargo à carne termoprocessada do Brasil, imposto em 2012. O Japão foi o último a levantar a restrição entre vários países que suspenderam as importações de carne bovina brasileira, há três anos, após o registro de um caso atípico da doença da "vaca louca" no Paraná.

Para levantar o embargo à carne industrializada brasileira, o Japão pediu a comprovação de que esses produtos originados no Brasil não correm o risco de ser contaminados pelo mal da "vaca louca". O fim da proibição só ocorrerá efetivamente após a visita de técnicos do serviço sanitário japonês a três frigoríficos brasileiros, dois em São Paulo e um no Rio Grande do Sul.

A notícia sobre o fim do embargo foi oficializada pela secretária de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Tatiana Palermo, que substituiu a ministra Kátia Abreu em viagem ao país asiático para negociar a assinatura dos certificados sanitários que põem fim às restrições japonesas. O acordo foi fechado com o ministro da Agricultura japonês, Hiromitsu Matsushima.

Com a medida, as indústrias brasileira de carnes poderão exportar vários produtos termoprocessados de origem bovina, suína, ovina e caprina, como carne cozida congelada, conservas, extrato de carne, vísceras cozidas e embutidos ao Japão. As negociações, no entanto, não incluíram a carne bovina in natura, informou o ministério. "Agora são 100% dos embargos suspensos à carne bovina brasileira no mundo", disse a ministra Katia Abreu em comunicado.

O Japão importou em 2014, de acordo com o ministério, o equivalente a US$ 1,159 bilhão ou 250 mil toneladas de carne processada de vários países, exceto do Brasil. Já as exportações brasileiras desses produtos somaram US$ 651,2 milhões ou 110,4 mil toneladas no ano passado. Antes do embargo, o Brasil chegou a vender 1,5 mil toneladas de carne bovina processada ao mercado japonês, o equivalente a US$ 8,6 milhões.

Por Cristiano Zaia | De Brasília
Fonte : Valor