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Itaú BBA projeta cotações ainda atraentes para algodão, mas aponta riscos em 2018

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Ainda que os contratos futuros de segunda posição de entrega do algodão encerrem junho com um valor médio menor que o registrado em maio (ver Mais um mês de quedas para as commodities), de janeiro a junho os papéis alcançaram a maior média semestral desde o primeiro semestre de 2014. E, como destaca análise do banco Itaú BBA, essa boa fase de preços tende a continuar na safra internacional 2017/18, quando a produção deve ser menor que a demanda.

"As expectativas seguem apontando para preços atraentes diante do esperado déficit global, o que deverá seguir contribuindo para a redução dos estoques", diz relatório recém-concluído pelo banco. Os analistas do Itaú BBA lembram, contudo, que há riscos.

O primeiro é o comportamento dos preços do petróleo, que influencia as cotações da fibra sintética, principal substituta do algodão. A instituição projeta alta das cotações da commodity no segundo semestre, "dada a prorrogação do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)" e a queda dos estoques americanos, mas traça um cenário negativo para 2018, em virtude "da redução do custo marginal da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos".

O Itaú BBA pondera que o balanço americano de oferta e demanda da pluma também poderá tirar sustentação das cotações do produto. Isso porque, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a área plantada no país tende a crescer 20% na safra 2017/18, por conta da promessa de boas margens, mas as exportações deverão recuar 7% em razão do incremento da oferta em países concorrentes.

"Se esse cenário prevalecer, e assumindo que a produtividade será 7% menor e o consumo crescerá 3%, os estoques finais serão os mais altos nos últimos nove anos", diz o relatório do banco.

O Itaú BBA observa, finalmente, que o próprio incremento da produção em outros países (no Brasil inclusive) em consequência dos preços atuais atraentes naturalmente tende a ajudar a reduzir o déficit global – o que, ao fim e ao cabo, como é normal nos ciclos das commodities, se transformará em um fator baixista para as cotações internacionais do algodão.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor