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Irregularidades socioambientais no foco de Serasa e Agrotools

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A Serasa Experian, conhecida por listar os brasileiros inadimplentes, acaba de fincar os pés no agronegócio – área até agora pouco explorada em suas operações. A companhia fechou uma parceria com a empresa de tecnologia digital Agrotools que permitirá criar soluções para avaliar irregularidades socioambientais na produção agropecuária do país.

Em fase inicial de implementação, a parceria permitirá que a Serasa associe a gigantesca base de CPFs e CNPJs que possui à capacidade de coleta e análise de dados rurais da Agrotools, criada há nove anos dentro do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), e que tem à sua frente atualmente o executivo Fernando Martins, ex-CEO da Intel.

"Atuamos em várias áreas da economia, mas nossa presença ainda é pequena no agronegócio brasileiro diante do tamanho do setor", diz Victor Loyola, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian. "A partir de agora, poderemos também ‘positivar’ e ‘negativar’ o gado ou qualquer produção de propriedades brasileiras".

"Nós não compramos força de vendas, assim como o Uber não compra carros e o Airbnb não compra casas. Nosso foco está em gerar tecnologia. E a Agrotools faz pelo território nacional o que a Serasa faz pelo CNPJ", acrescenta Fernando Martins.

Nos próximos meses, a Serasa Agrotools começará a entregar sob demanda relatórios com informações precisas sobre as conformidades referentes a uma determinada área rural. Por meio de um cruzamento de informações geográficas e dados públicos, a ferramenta verifica se o terreno analisado sofreu desmatamento recente, está em áreas embargadas, terras indígenas ou em unidades de conservação ambiental. A solução gera, de forma individualizada, relatórios para quem precisa de informações para estar em conformidade com a lei – desde bancos a tradings e varejo.

A Serasa Agrotools apontará as "não conformidades" de uma determinada propriedade ou de um produtor rural em relatórios detalhados, referendados por imagens de satélite. Mas a decisão de fazer o negócio ou não caberá ao cliente, explica Loyola.

Ao mesmo tempo, diz ele, propriedades "chanceladas" pela Serasa Agrotools poderão ter benefícios futuros, dado o risco menor que representam – crédito mais barato nos bancos, por exemplo.

Até o momento, a Agrotools tem uma carteira de 3,8 milhões de propriedades rurais mapeadas – das 5,5 milhões do país. Na base de dados da Serasa, por sua vez, há 3,7 milhões de proprietários rurais, vinculados a 700 mil CNPJs. Considerando o grupo expandido de familiares, tratam-se de quase 7 milhões de CPFs, diz a Serasa.

Com a parceria, o serviço – de alta precisão e confiabilidade mas ainda restrito a grandes clientes – poderá chegar ao pequeno e médio cliente, dado o potencial de escalabilidade da Serasa. "Sozinhos, nós não conseguiríamos isso", afirma Martins. "A partir de agora vamos poder também avançar para análises preliminares – rápidas – e o monitoramento após o relatório".

Em um segundo momento, será possível também mapear fornecedores indiretos – no caso da pecuária, por exemplo, aquele que cria o bezerro antes de entregá-lo para engorda e abate – nos moldes do Serasa Conecta, que criou um "marketplace" de fornecedores.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor