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InVivo traça plano ambicioso para o Brasil

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Rui Baron/Valor

Yasuda (esq.), CEO da CCAB, e Martel, da InVivo: grande potencial de crescimento

Para o grupo francês InVivo, a maior central de cooperativas agropecuárias da França, com vendas de € 6,4 bilhões em 2016, a crise política e econômica que persiste na ordem do dia do Brasil não tirou do país o rótulo de "grande player" mundial, tampouco prejudicou o interesse da companhia em crescer no mercado brasileiro. Pelo contrário.

O grupo, que é formado por 220 cooperativas francesas, traçou um ambicioso plano de negócios para o país. Para esta safra 2017/18, que começou em 1º de julho e se estenderá até 30 de junho do ano que vem, o objetivo é crescer 40%. Mas até 2020, a expectativa é triplicar o faturamento no Brasil, que no ano-safra 2016/17 foi de US$ 106 milhões.

Para conseguir cumprir seus objetivos, a estratégia é trabalhar para ampliar as vendas de defensivos agrícolas, principal segmento de atuação do CCAB (Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro), que acaba de completar uma década de existência.

Em janeiro deste ano, a InVivo assumiu o controle acionário do CCAB, com a compra de uma participação de 51% na empresa brasileira, que reúne 20 cooperativas espalhadas pelos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Santa Catarina. Com a tacada, passou a vislumbrar mais oportunidades de negócios no Brasil, sobretudo no que se refere à obtenção de mais registros de novos defensivos – não só para as culturas de soja, milho e algodão, mercados nos quais já atua, mas também para a produção de café, cana-de-açúcar e citros.

Em entrevista ao Valor, Jones Yasuda, CEO da CCAB, disse que atualmente a empresa detém 17 registros de defensivos na área de grãos. Mas que já prospecta o registro de mais 100 produtos junto ao Ministério da Agricultura. "A CCAB é parte da estratégia da InVivo de estabelecer uma aliança global de cooperativas para defender os interesses dos agricultores e fazer frente a essa cadeia de negócios que está se reduzindo em função das uniões entre as grandes companhias mundiais", afirmou Yasuda.

De acordo com o executivo, a "nova CCAB" representa uma alternativa competitiva aos produtores brasileiros num momento em que o mundo vê surgirem gigantes como a empresa resultante da aquisição da americana Monsanto pela alemã Bayer ou a companhia que está sendo construída a partir da fusão entre as americanas Dow e DuPont. Sem contar a suíça Syngenta, que terá seu crescimento turbinada pela ChemChina, sua nova controladora.

Nesse sentido, a InVivo-CCAB está de olho na parceria com outras cooperativas de Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e São Paulo para ampliar sua base de cooperados – hoje são cerca de 55 mil – e, assim, ampliar o fornecimento de insumos para os produtores desses Estados, onde também está em curso um movimento de fortalecimento de redes regionais de distribuidores de insumos.

Em visita ao Brasil nesta semana, o diretor de Agronegócio da InVivo, Laurent Martel, disse que, além da parceria imediata com a CCAB, no longo prazo o grupo está estudando oportunidades nas áreas de sementes de soja, agricultura de precisão e serviços à agricultura. E não descarta estender para o Brasil sua expertise em produção agroindustrial.

"Não sei se a crise do Brasil é preocupante. No agronegócio, uma coisa clara para nós é que o Brasil produz muito para exportar, tanto cereais, quanto soja, e está muito conectado com o mercado global", afirmou Martel. "As demandas mundiais por alimentos estão crescendo e há um grande potencial para o Brasil. Entendemos que podemos encarar as oscilações do mercado [de commodities], ajudando o produtor", concluiu Martel.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor