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INVESTIGAÇÃO – Maggi diz que não denunciou deputados do Mato Grosso porque era inexperiente politicamente

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EXPOINTER 2017
Cerimônia de abertura da 40ª Expointer.

Maggi fez a abertura da Expointer e erguer a faca que ganhou de fabricantes gaúchos

É Expointer, mas os temas políticos envolvendo investigação de integrantes do governo federal acabam desembarcando na pauta do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Ao falar sobre a denúncia de que teria autorizado o pagamento de suborno a deputados estaduais quando governou Mato Grosso, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), que abriu a mostra de 2017 neste sábado (26), alegou que as irregularidades teriam sido cometidas por integrantes do poder legislativo, e não por ele.

O ministro admitiu, no entanto, que poderia ter “denunciado” o caso. O STF aceitou a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) para instaurar o inquérito para investigar Maggi. “Estava em meu primeiro mandato e não tinha muita noção de política, havia deixado o campo pela primeira vez para assumir um cargo político. Se fosse hoje, teria outra visão e teria denunciado o caso”, alegou Maggi, em coletiva de imprensa durante a 40ª Expointer.

Maggi se referia, no caso, à acusação, feita em delação premiada do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa, de que o ministro seria o comandante de um “organização criminosa” instalada no alto escalão daquele estado principalmente a partir de 2006, envolvendo políticos e empresários para a manutenção da governabilidade e para o pagamento de dívidas de campanhas políticas, criando uma espécie de “mensalinho” a deputados estaduais.

“Isso é coisa de quem fala qualquer coisa para fechar acordo de delação premiada e sair ou nem ir para a cadeia”, argumentou Maggi.

Essa, porém, é terceira denúncia envolvendo o ministro. Em abril, Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito contra o ministro da Agricultura por suspeita de ser o destinatário de um pagamento de R$ 12 milhões durante sua campanha à reeleição em 2006, de acordo com delatores da Odebrecht.

Na época, em nota, o ministro negou ter recebido doações da Odebrecht e disse que não tem e nem teve relação com a empresa e seus dirigentes. Questionado se essa nova acusação colocaria em risco sua permanência na pasta, disse que “isso não seria problema, que não depende do cargo” para sobreviver.

"Sou produtor, não vivo da renda de ministro, não preciso do cargo. Se o presidente se sentir desconfortável e me pedir, eu saio sem problema. Mas posso dizer, me dedico até demais à pasta, trabalho muitas horas a mais do que deveria”, assegurou o ministro.

JONATHAN HECKLER

Thiago Copetti

Fonte : Jornal do Comércio