Investidor pessoa física impulsiona o segmento de títulos do agronegócio

Dados do boletim de renda fixa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostram expansão líquida de R$ 48,78 bilhões no estoque em LCAs e CRAs em 2015

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Enquanto o saldo de crédito rural com recursos direcionados aumentou 4,87% no ano passado, o estoque de títulos do agronegócio (LCAs e CRAs) avançou 32,3% devido à demanda dos investidores pessoas físicas por papéis isentos do imposto de renda (IR).
De acordo com dados do boletim de renda fixa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a expansão líquida do estoque de papéis agropecuários (LCAs e CRAs) somou mais de R$ 48 bilhões em 2015, para o total de R$ 199,4 bilhões.
O aumento líquido do estoque de letras de crédito do agronegócio (LCAs) atingiu R$ 44 bilhões para R$ 193 bilhões pelos dados da Anbima, e os certificados de recebíveis agropecuários (CRAs) contribuíram com a expansão líquida de R$ 4,3 bilhões para o total de R$ 6,3 bilhões, segundo os dados da Cetip.
Na avaliação do coordenador de projetos de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Roy Martelanc, o forte crescimento do mercado de títulos do agronegócio colabora para o financiamento da produção agropecuária. “Devido a isenção do imposto de renda (IR) ao investidor [pessoa física], banco capta mais barato com as LCAs e financia o produtor rural com juro menor”, diz.

O coordenador explicou que o avanço do mercado de títulos do agronegócio pode estar relacionado com a maior restrição de crédito subsidiado nos bancos públicos. “É o Tesouro que paga a diferença entre taxas subsidiadas e a de mercado ao Banco do Brasil [principal financiador do agronegócio].”
As informações do último boletim de crédito do Banco Central mostram que o saldo de financiamento rural a taxa reguladas (subsidiadas) com recursos direcionados para pessoas físicas (produtores) cresceu 3,9% no ano passado, enquanto o financiamento rural para pessoas jurídicas (empresas do agronegócio) a taxas reguladas encolheu 0,8% em igual período. “Está muito difícil para o produtor pegar empréstimos subsidiados nos bancos”, confirma o Raymundo Magliano Neto, diretor da corretora Magliano.
Mas por outro ângulo houve crescimento de 37,2% do crédito rural a taxas de mercado (sem subsídios) para pessoas físicas (produtores) e aumento de 8,4% no saldo de crédito rural a taxas de mercado para pessoas jurídicas (empresas do agronegócio). Esse incremento está relacionado principalmente com a disponibilidade de captação nos bancos.
Magliano informou que atualmente, as LCAs e os CRAs remuneram os investidores pessoas físicas com taxas entre 85% e 92% do depósito interfinanceiro (DI). “O lastro [quantidade de títulos carimbados disponíveis] diminuiu, mas quando tem, as taxas são boas para os investidores e para o emissores [bancos e securitizadoras]”, identificou o diretor.

Fonte : Rede Jornal Contábil