Integração Lavoura, Pecuária e Floresta atravessa fronteira estadual paulista

Visto como alternativa viável para a recuperação de solos degradados e como atividade de fomento econômico de alto valor agregado, o sistema Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) tem na pós-graduação ofertada pela Unoeste referência nacional em especialização. Fato motivador de parcerias para que o curso seja ministrado em outros Estados e a primeira parceria está formalizada com a Fundação MS para Pesquisa e Difusão de Tecnologia Agropecuária, em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, a cerca de 450 km de Presidente Prudente.

O coordenador da especialização em ILPF, Dr. Edemar Moro, anuncia que estão abertas as inscrições, no site da Unoeste, para a primeira turma na Fundação MS. As aulas terão início no dia 18 de março, nas sextas-feiras à tarde e noite e aos sábados o dia todo, incluindo visitas em fazendas onde é desenvolvido o sistema e em instituições vinculadas ao agronegócio, a exemplo da Embrapa Gado de Corte. O curso terá duração de 18 meses, ministrado por professores da Unoeste, da Fundação MS, Rede de Fomento à ILPF, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e de outras instituições.

A ideia de descentralização do curso surgiu numa conversa com o diretor executivo da Fundação MS, Alex Marcel Melotto, na condição de professor vinculado à especialização em ILPF na Unoeste. A motivação se sustentou na demanda, por se tratar da região centro-oeste do Brasil, onde a agropecuária se apresenta como o carro-chefe da economia e já são vários produtores que aderiram ao sistema, necessitando de capacitação para suas equipes técnicas de trabalho no campo. Moro conta que o curso na Fundação MS foi adequado para atender a demanda local, um pouco diferente da realidade regional de Prudente.

A diferença básica entre as duas regiões agropecuárias reside nos fatos de que aqui tem mais pecuária e lá tem mais lavoura. “Aqui o objetivo maior é recuperar áreas degradadas de pastagens, enquanto lá é o de criar condições mais favoráveis à viabilização da soja e do milho, as culturas agrícolas mais fortes. O sistema oferece ganho na qualidade do solo, melhorando as condições físicas. O cultivo da braquiária beneficia o plantio da soja, cultura que exige boa condição física do solo. O capim proporciona isso, beneficiando a produção de grãos, especialmente, em solos arenosos”, explica Moro.

Na Unoeste, a especialização em ILPF foi implantada em 2013 pela Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação. Está com inscrições abertas para a 7ª turma, com aulas a partir do dia 26 deste mês. A maioria dos alunos procede de cidades situadas num raio de 50 km ou um pouco mais de Presidente Prudente. Estima-se que em outras regiões o curso terá impacto geográfico semelhante, inicialmente no Mato Grosso do Sul, mas já com articulações bem encaminhadas com parceiros do Paraná e do Distrito Federal, para implantação do curso ainda no segundo semestre deste ano.

O médico veterinário e mestre em ciência animal Alex Arikawa Miyasaki está prestes a ser o primeiro profissional a receber da Unoeste o título de especialista em ILPF, na condição de aluno da primeira turma e com a apresentação de seu trabalho final no dia 26 deste mês. Para ele, o curso correspondeu às expectativas. “Na verdade, foi além do que imaginava, até pelo nível do quadro de professores. Não esperava ter contato com tantos pesquisadores de renome nacional”, comenta e explica que sua escolha pela especialização decorreu do fato de atuar como consultor, melhoramento genético e produção animal.

O projeto desenvolvido por Miyasaki contempla a viabilidade econômica e já está sendo aplicado num grupo de propriedades, incluindo a que pertence à sua família. Enquanto consultor tem recomendado a especialização para seus clientes, “até por ser um curso que oferece informação técnica de fácil entendimento”. Ao longo dos três primeiros anos da oferta da especialização, as turmas contaram com produtores, juntamente com consultores e recém-formados, sendo a maioria da área de ciências agrárias (agronomia, zootecnia e medicina veterinária), além dos que possuem formação em outras áreas, a exemplo de administração.

Jornal Dia a Dia – Três Lagoas


Fonte: Famasul