Instabilidade afeta a agropecuária, diz SRB

 

Presidente da Sociedade Rural Brasileira diz que cenário econômico e político limita perspectivas dos produtores

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira, avalia que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no terceiro trimestre de 2015 é um indício de que o setor tem sentido as instabilidades no setor público. O PIB do agronegócio recuou 2% em relação ao mesmo período de 2014 e 2,4% ante o segundo trimestre deste ano. "O grande problema que estamos enfrentando é a insegurança, seja no Executivo, no Legislativo e até no Judiciário. Isso acaba criando um sentimento de alto risco e diminui o interesse por novos investimentos", disse.

Junqueira pondera que o cenário econômico e político deixa produtores com perspectivas limitadas, sobretudo para fins de financiamento da atividade – com dificuldade para captar recursos do Plano Safra 2015/16 e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Estamos dependentes de um governo que agora não tem condições de suportar os mesmos volumes de recursos. E o setor fica sem acesso a eles", diz. O presidente da SRB acrescenta que a liberação do montante destinado ao Plano Safra atrasou e afetou o setor, com impactos sobre o PIB. "O produtor não comprou as sementes no volume que gostaria, não comprou outros insumos. A falta de crédito no momento adequado, numa atividade em que o tempo é muito importante, acaba afetando o resultado", critica.

O representante também afirma que a alta do dólar ante o real não é necessariamente boa para o setor e pode não ter sido captada totalmente no resultado do PIB em virtude de negociações prévias da produção. "Parte da receita está atrelada à exportação, mas há um regime de comercialização da safra que ocorre antes de ela ser colhida. Boa parte dos grãos foi vendida em reais lá atrás, portanto agora esse benefício acaba ficando fora do setor. É como se já tivesse sido exportado", explica. "O que vemos no terceiro trimestre de 2015 é uma composição da colheita do que foi plantado no início do ano e parte dos insumos à produção do próximo ano."

Além disso, o avanço da divisa norte-americana pesa sobre insumos importados e sobre dívidas de grandes produtores rurais. "Isso tem um impacto negativo e demonstra que possivelmente a área plantada será menor e a colheita também. E menos produtiva, já que o produtor usou menos adubos e herbicidas, por exemplo", diz.

No cálculo do PIB, o IBGE previu retração na estimativa de produção anual do café (-6,4%), cana (-4,2%), laranja (-3,3%), algodão (-2,5%) e trigo (-0,2%). No que diz respeito ao setor sucroalcooleiro, Junqueira nota um impacto do clima, com as fortes chuvas, mas espera recuperação. "Acho que com toda essa crise que o setor passou houve uma diminuição de plantio, fechamento de usinas e vamos voltar a ver preços melhores", afirma. Para o algodão, o presidente da SRB vê pressão no mercado internacional. "Então houve um plantio muito menor. A cultura do algodão não está remunerando o suficiente para expansão".

 ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte: Portal DBO