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Infraestrutura e PIB per capita limitam segurança alimentar no Brasil

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SÃO PAULO – Apesar de ser um dos principais produtores de alimentos do mundo, o Brasil precisa resolver importantes gargalos para garantir a segurança alimentar de sua população. É o que aponta o relatório divulgado hoje pela Economist Intelligence Unit (EIU) e pela multinacional DuPont.

Sexta maior economia do mundo, o Brasil é apenas o 31º colocado entre os 105 países que integram o índice global de segurança alimentar desenvolvido pela EIU. Os países foram avaliados em 25 indicadores, que medem poder aquisitivo, disponibilidade e qualidade dos alimentos. Os Estados Unidos lideram o ranking, enquanto que o Congo, na África, tem o pior índice de segurança alimentar do planeta.

“Esperava estar um pouco melhor, mas temos que olhar do lado positivo. Essa colocação nos dá a responsabilidade de ver onde estamos errando e buscar saídas”, afirmou o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, no evento de lançamento do novo índice, em São Paulo.

Na opinião do presidente da DuPont no Brasil, Ricardo Vellutini, a posição brasileira funciona como um estímulo para o setor público e privado. “Se estivéssemos em primeiro lugar, ficaríamos parados, sem fazer nada”, disse. “O Brasil é aquele que poderá liderar o caminho da agricultura mundial nos próximos anos”, reforçou Paul Schickler, presidente global da DuPont Pioneer, divisão de sementes da multinacional americana.

Se quiser avançar em segurança alimentar, o Brasil terá de enfrentar seus problemas de infraestrutura e elevar a seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita, segundo o economista Robert Wood, especialista em Américas do EIU. “A infraestrutura disponível para armazenagem de culturas e as condições dos portos e rodovias limitam o avanço do país”, disse ele.

Numa escala de zero a cem, o indicador nacional para infraestrutura agrícola teve o pior desempenho (19,4 pontos) entre todos os critérios avaliados pelo índice. No item PIB per capita, o Brasil obteve 19,9 pontos.

Entre os dois principais gargalos, o economista do EIU acredita que a infraestrutura agrícola tem condições de avançar de maneira mais rápida. “O PIB per capita leva mais tempo para crescer”, disse. Apenas para efeito de comparação, se estivesse situado na média mundial (53,7 pontos) para a infraestrutura agrícola, o Brasil ultrapassaria Chile e México e seria o melhor país da América Latina.

Se por um lado citou os principais desafios do país, o índice global também destacou os pontos positivos. Entre os melhores indicadores, o relatório destacou a presença de uma rede de programas de segurança alimentar , como o Bolsa Família.

(Luiz Henrique Mendes | Valor)

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | Valor