INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Benefícios e desafios do pós-colheita

    Não é só no campo que o crédito de R$ 25 bilhões oferecido pelo Plano Safra federal e os R$ 250 milhões do plano estadual para investimentos específicos em armazenagem promete produzir efeitos significativos. Na carona dos bons resultados colhidos nas lavouras, a indústria de silos e armazéns já trabalha com uma perspectiva de crescimento do faturamento.
    Responsável por cerca de 60% da produção nacional desses equipamentos, o Arranjo Produtivo Local (APL) Metalmecânico Pós-Colheita do Estado estima dobrar o faturamento anual, hoje em torno de R$ 500 milhões. O grupo, localizado em Panambi e Condor, reúne 120 empresas – incluída a gigante do setor, Kepler Weber – que produzem da matéria-prima ao produto final e geram entre 8 mil e 12 mil empregos diretos. Presidente do APL e da Associação Centro de Inovação Tecnológica, gestora do arranjo produtivo, Hardi Reinke estima que esse resultado será colhido até a metade do próximo ano.
    Para chegar lá, porém, será preciso driblar algumas dificuldades, como a burocracia na tomada de crédito.
    – Os bancos não estão preparados para liberar esse volume de dinheiro – argumenta Reinke.
    Aqui no Estado, o Banco do Brasil já soma cerca de R$ 50 milhões em pedidos de financiamento por meio do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que estão em estágio inicial – principalmente na elaboração de projetos técnicos. A expectativa, segundo a superintendência estadual do banco, é de que até dezembro o valor chegue a R$ 160 milhões.
    Outro desafio para o APL – coordenado pela Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) – é a escassez de mão de obra, sobretudo no chamado chão de fábrica, ou seja, na operação industrial propriamente dita. Tanto que instituições de educação da região já estão sendo chamadas a fazer o “dever de casa”: desenvolver mais cursos técnicos.
    Essas equações precisam ser resolvidas, levando em conta que o Brasil guardou só 120 milhões das 185 milhões de toneladas de grãos produzidas no ciclo 2012/2013. Para todo mundo sair ganhando.

  • Arroz ainda mais profissional

    Formar parcerias para deixar o arrozeiro ainda mais afiado na gestão de seu negócio é uma metas da nova direção da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz). O presidente Henrique Dornelles (foto), que fica no comando da entidade até 2016, toma posse hoje à noite em cerimônia na Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Natural de Alegrete, o engenheiro mecânico traz no trabalho desenvolvido na propriedade da família – a Agropecuária Passo do Angico – as credenciais para o posto.
    O novo presidente fala sobre outras metas e avalia o momento da produção de arroz, que tem no Rio Grande do Sul o maior produtor nacional – foram 7,93 milhões de toneladas na última safra. Confira:

  • 1) Desafios
    Além do foco na gestão das propriedades, Dornelles aposta em projetos que ajudem no escoamento e na venda da produção:
    – Precisamos explorar mais as qualidades do arroz produzido no Estado.
    2) Rotação com a soja
    A dobradinha arroz-soja é bem-vista. Além de ferramenta de manejo, é complemento financeiro, permitindo que o produtor comercialize a soja primeiro e segure o arroz para vender com melhor preço.
    3) Custos de produção
    A alta do dólar – com impacto sobre insumos –, o combustível e a mão de obra são três ingredientes que preocupam. E fazem crescer os custos – hoje entre R$ 30 e R$ 33 por saca, dependendo da região.

  • Cadastro em outubro

    Uma das principais exigências do novo Código Florestal, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) só deve começar a funcionar em outubro. Problemas no programa que permitirá o registro adiaram o início da operação, previsto para este mês.
    No Rio Grande do Sul, o acompanhamento da ferramenta ficará aos cuidados da Secretaria do Meio Ambiente. Enquanto aguarda a liberação do sistema, de responsabilidade do governo federal, o Estado tenta ganhar tempo na outra ponta. Na semana da Expointer deve lançar o programa de treinamento de técnicos que auxiliarão os produtores, com objetivo de habilitar 1,5 mil agentes. Na semana passada, técnicos do Senar-RS foram treinados, na primeira etapa do programa.

  • Só no Rio Grande do Sul, cerca de 441 mil imóveis rurais devem ser mapeados.

  • Decreto publicado ontem no Diário Oficial simplifica os processos de registro de fertilizantes no Brasil. O documento revisa regras anteriores e busca dar mais rapidez aos pedidos.

  • O número final de animais de argola inscritos na Expointer ficou em 5.622, quantidade 10% menor do que em 2012, quando o número chegou a 6,2 mil exemplares. As inscrições para animais rústicos seguem até o dia 9 de agosto.
    Colaborou Vagner Benites

Fonte: Zero Hora