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INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

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  • É o produtor quem deve fiscalizar o plano

    Alista das ações a serem desenvolvidas dentro do Plano Safra estadual é grande. São 33 medidas e programas, como enumera o próprio governo no material de divulgação apresentado na cerimônia de lançamento em Soledade. O pacote soma R$ 2,67 bilhões e traz um pouco de tudo.
    Tem grandes novidades, como o projeto piloto que irá distribuir protetor solar a cem mil agricultores – colocando em prática legislação aprovada em 2010 –, o Bolsa Juventude e o apoio para a implementação do Cadastro Ambiental Rural. E ações não tão novas assim. É o caso de projetos como o Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Prodeleite) e o auxílio para a adesão de pequenos produtores ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) ou ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial (Susaf). E outros, como o Mais Água, Mais Renda e o Mais Ovinos, que serão continuados e ampliados.
    Em sintonia com problemas atuais do agronegócio – como a dificuldade para guardar grãos – e com o Plano Safra federal, o pacote tenta fazer chegar às propriedades estruturas para secagem e armazenagem da safra colhida.
    A reconhecida precariedade da energia elétrica no meio rural motivou outra mudança, dessa vez no Mais Água, Mais Renda.
    A melhoria da rede – quando ficar comprovada sua necessidade para implementar a irrigação – será subvencionada pelo governo, nos mesmos moldes do subsídio do programa, conforme o tamanho do produtor.
    Mas é preciso ficar de olho para que todas as boas ideias sejam convertidas em ações práticas – e que as nem tão boas assim possam ser ajustadas, conforme a necessidade dos agricultores. Foi o próprio governador quem sugeriu, em seu discurso: controlem a execução dos programas, para que saiam do papel.

  • Perdas no caminho

    Se avizinha um embate entre Brasil e Mercosul, e quem está puxando boa parte da discussão, em defesa do agronegócio brasileiro, é a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
    A partir de janeiro, produtos como óleo de soja, frutas e tratores, por exemplo, devem ter queda nas exportações para União Europeia. É que esses itens hoje entram no bloco pelo Sistema Geral de Preferência (SGP), com tarifas menores, benefício que será perdido. No caso do óleo de soja, a taxa subiria de 2,9% para 6,4%.
    – O SGP foi criado para ajudar países em desenvolvimento e, com a expansão econômica, o Brasil deixou esse patamar, pelos critérios da UE – explica Igor Amazarray, assessor de relações internacionais da Farsul.
    A saída seria acelerar o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, parado há quase 10 anos. Um dos entraves é resistência da Argentina a abrir seu mercado interno, condição para o avanço.
    – Se Brasil não fizer acordos em separado, teremos problemas: perto de 50% das vendas do Estado entram na UE pelo sistema de preferência – acrescenta Amazarray.

  • O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 2,99% no primeiro quadrimestre deste ano, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP.

  • A Monsanto teve de ceder

    Cansada de resistências, a Monsanto decidiu mudar de estratégia em relação aos transgênicos na União Europeia (UE). A empresa anunciou que desistirá de obter licenças para cultivo de organismos geneticamente modificados. Vai se esforçar, agora, para aprovar a importação desses produtos de locais como América Latina ou Estados Unidos. A multinacional havia pedido licença para plantio de milho, soja e beterraba para açúcar.
    Colaborou Thiago Copetti

Fonte: Zero Hora