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INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

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  • A exceção deixará de ser regra

    Criado para facilitar a venda de produtos das agroindústrias familiares entre uma cidade e outra, o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial (Susaf) ainda não decolou. Dos 497 municípios do Estado, só 53 solicitaram adesão ao programa, segundo a Secretaria da Agricultura. Desses, apenas dois, Santa Maria e São José do Sul, encaminharam a documentação. Mais de um ano após a regulamentação da lei que instituiu o Susaf, nenhuma inclusão foi concedida.
    O sistema permite que produtos de agroindústrias familiares sejam vendidos em todo Estado. Ou seja, fora da cidade em que foram feitos. Na tentativa de acelerar a participação no programa, o secretário Luiz Fernando Mainardi promete descontinuar um recurso atualmente utilizado para permitir que os produtos ultrapassem os limites dos municípios. São as chamadas exceções para venda.
    Para que uma agroindústria – com registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM) – possa participar de uma feira, por exemplo, o secretário emite uma portaria autorizando a comercialização fora da cidade. A partir da Expointer, porém, tais concessões só serão feitas a municípios que solicitarem adesão ao Susaf ou ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) – no Estado, seis municípios têm cadastro.
    Presidente da Famurs, o prefeito de Santo Ângelo, Valdir Andres, diz que a entidade tem reuniões marcadas para tratar do tema. Um dos entraves apontados para implementação é o custo.
    Assessor de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Jocimar Rabaioli teme que a decisão acabe penalizando o produtor, que em muitos casos depende das participações em feiras e eventos para garantir a venda. Tal preocupação faz sentido, porque o produtor não pode ser prejudicado pelo sistema que se propõe justamente a beneficiá-lo.

  • Fôlego temporário

    Embora o cenário ainda não seja dos melhores, a prorrogação da isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de trigo deu um fôlego ao setor – pelo menos por mais um mês. Com a manutenção da alíquota zero para o produto vindo de países de fora do Mercosul até 31 de agosto, o preço da farinha não deverá sofrer novo aumento a curto prazo.
    Salvo se o dólar tiver outra disparada, avalia Arildo Bennech Oliveira, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado (Sindipan).
    Com escassez do produto no mercado interno, agravado pela decisão da Argentina de suspender as exportações do grão, a indústria brasileira passou a depender do grão produzido nos Estados Unidos e no Canadá. Os argentinos, aliás, tiveram a pior colheita do cereal nos últimos 111 anos, com 9,8 milhões de toneladas.
    – A situação só irá melhorar com a entrada da safra de trigo brasileira, a partir de outubro. Por isso, o ideal seria que a prorrogação fosse estendida pelo menos até final de setembro – afirma o presidente do Sindipan.

  • Agricultura familiar gaúcha terá R$ 4,2 bi

    Com presença confirmada na cerimônia de lançamento do Plano Safra estadual, hoje, em Soledade, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, trará boas notícias. Ou melhor, boas cifras. A quantia liberada pelo Plano Safra federal aos pequenos produtores será de R$ 4,2 bilhões, valor 27% maior do que o inicialmente ofertado. Pepe afirma, porém, que “não há limite de crédito”.
    Também serão assinados termos de cooperação com o Estado, para inseminação artificial na bovinocultura de leite e para assistência técnica e extensão rural a comunidades indígenas. Outro acordo permitirá ampliar de seis mil para 11 mil as famílias do Brasil Sem Miséria.

  • No ciclo 2012/2013, agricultores familiares gaúchos contrataram R$ 3,92 bi em crédito do Plano Safra federal, valor acima da oferta inicial de R$ 3,3 bi.

  • Em tempos de armazenagem escassa para a soja, o silo bolsa ganha espaço. A Pacifil Brasil, de Estância Velha, teve alta de 61,8% nas vendas no primeiro semestre no RS. No resto do país, a alta foi de 48,2%.

  • O projeto de lei que renova a concessão do uso de espaços no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, deve ser enviado à Assembleia antes do início da Expointer. A ABCCC é uma das contempladas com a renovação – a atual concessão vence no próximo ano.
    Colaboraram Joana Colussi e Vagner Benites

  • Fonte: Zero Hora