INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Quando a sucessão familiar faz a diferença

    Problema crônico do campo, a falta de mão de obra atrapalha até as propriedades tidas como exemplos. Mas é também nesses lugares que a sucessão familiar realizada de forma participativa e gradual tem se mostrado um antídoto eficiente a essa dificuldade.
    É o caso da Fazenda Santa Rita, no municípios Muitos Capões, na Serra, em que três gerações atuam na pecuária de corte.
    O advogado Luiz Sérgio do Amaral Godinho, 55 anos, trabalha lado a lado com o filho, Hermes Boeira Godinho Neto, 31 anos, e o pai, Hermes D’Ávila Godinho, 79 anos.
    –Viver aqui no campo e fazer isso acontecer é dar sequência aos princípios passados pelo meu pai, porque é muito difícil – desabafa Luiz.
    Com trabalho que inclui a integração de pecuária e lavoura, eles atingem parâmetros invejáveis na reprodução dos animais. Apesar da falta de trabalhadores treinados.
    – Fala-se em agricultura de precisão, mas também precisamos entrar na era da pecuária de precisão – alertou o chefe de divisão técnica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), João Telles, em dia de campo realizado ontem como parte do evento De Onde Virão os Terneiros?, da Farsul.
    Foi também com o exemplo familiar que o produtor Ilson Carpes de Melo, 90 anos, conseguiu manter campo nativo, floresta, grãos e animais em harmonia na propriedade de 236 hectares em Lagoa Vermelha. Com apoio dos filhos, conseguiu resultados expressivos – como o índice de 93% de prenhez das vacas.
    A dependência de mão de obra terceirizada, cada vez mais escassa, contudo, ainda é citada como um dos entraves para o maior desenvolvimento da fazenda.
    – É difícil achar quem queira e tenha habilidade para o serviço – relata o agrônomo Ilvandro de Melo, filho de Ilson.

  • R$ 2 milhões para o sorgo

    Possível alternativa de matéria-prima renovável para aumentar a competitividade do etanol brasileiro, o sorgo sacarino ganhará novo estímulo no Estado – onde não há grande escala comercial da cultura. Com R$ 2 milhões em financiamento da Petrobras, a Embrapa Clima Temperado irá coordenar pesquisa sobre o desenvolvimento de tecnologias para produção no RS, com a colaboração das principais instituições de pesquisa e com universidades gaúchas.
    O sorgo sacarino poderá ser usado em complemento à cana-de-açúcar, reduzindo períodos de ociosidade nas indústrias de etanol. Aqui, a cultura não é disseminada especialmente pela inexistência de cultivares recomendadas e de uma estrutura de produção adequada.

  • PL da rastreabilidade irá para a Assembleia

    Elaborada há quase dois anos na Câmara Setorial da Carne, será enfim encaminhado à Assembleia Legislativa pelo governo do Estado o projeto de lei que torna a rastreabilidade bovina obrigatória e gratuita. O anúncio foi feito durante evento no Sindicato Rural de Lavras do Sul. O Estado custeará a iniciativa com a meta de, em cinco anos, identificar todo o rebanho gaúcho. Para o produtor, a ferramenta é importante para melhorar a gestão da propriedade e valorizar o produto. Para o Estado, pode ajudar a reduzir sonegação e abate clandestino.
    – Pelo menos 500 mil cabeças simplesmente desaparecem a cada ano – calcula o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi.

  • Indústria muda incentivo à cevada

    A política da Ambev de incentivo ao plantio de cevada tem uma novidade nesta safra. Pela primeira vez, o produtor terá duas opções de preço. Uma das formas é pela tabela de valores por região, que estão 12% maiores se comparados ao ano passado. O diferencial desse ano será por conta da segunda opção, em que o preço será determinado pela Bolsa de Chicago.
    O produtor fará a opção no dia em que assinar o contrato de venda, com prazo final em 23 de novembro. Também há opção por um contrato misto, recebendo parte pela bolsa e parte pela tabela fixa.
    Mais de 2,3 mil famílias de produtores rurais brasileiras, a maioria delas no Rio Grande do Sul, se dedicam ao cultivo da cevada para abastecer a indústria de cerveja no país.

  • As fabricantes de máquinas agrícolas tiveram um avanço de 29,5% nas vendas no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
    *Colaboraram Joana Colussi e Thiago Copetti

Fonte: Zero Hora