INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Quando o controle faz bem

    Garantir que a aplicação de agrotóxicos seja feita de forma correta e monitorar a origem dos produtos que vão parar nas gôndolas dos supermercados só faz bem.A todos. Do produtor ao consumidor. Por isso,as iniciativas que apertam o cerco no controle dos defensivos agrícolas devem ser valorizadase não temidas.
    Além do Ministério Público Estadual (MPE), que quer garantir com as 10 maiores redes de supermercados gaúchos o cumprimento da norma técnica segundo a qual deve haver o rastreamento dos hortigranjeiros, outras frentes de ações se propõem a coibir o uso equivocado ou mal-intencionado do produto. Em maio, a Ceasa implementou, por meio de um termo de ajustamento de conduta com o MPE, o programa de monitoramento de resíduos.
    – Se não houver a rastreabilidade, não evoluiremos em nada no controle – reforça o promotor Alcindo Bastos.
    Responsável pela fiscalização da venda dos defensivos, a Secretaria da Agricultura – por meio da Divisão de Insumos Agropecuários –, dentro de um projeto maior de modernização do sistema de defesa agropecuária, começa a migrar os registros, ainda manuais, para o meio digital. Quando totalmente implementada – a projeção é de que isso ocorra até o final deste ano – a ferramenta permitirá fiscalização preventiva, com base em dados disponíveis no sistema. Isso seria possível ao cruzar informações sobre empresas que vendem agrotóxicos, com estoques disponíveis e receituários agronômicos – como se faz com a venda de um remédio controlado. Atualmente, cerca de 1,3 mil empresas operam a venda de agrotóxicos no Estado.
    Há ainda que se intensificar o cerco nas fronteiras, por onde passam agrotóxicos ilegais, que representam um risco ainda maior e, pior, não passam pelo monitoramento oficial.

  • Luz à produção gaúcha

    Além da irrigação, outro grande desafio a ser superado no campo é o da energia elétrica, que ainda carece de potência para conseguir dar conta das demandas dos produtores gaúchos. Atualmente, 78% das redes de energia no meio rural são monofásicas. Na prática, isso traz restrições ao uso de equipamentos e de tecnologia. Não são raros os casos de propriedades em que chuveiros e ordenhadeiras mecânicas ou tanques de resfriamento de leite não podem ser usados ao mesmo tempo.
    Esse e outros gargalos estão mapeados na Radiografia da Agropecuária Gaúcha, elaborada durante o último ano pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa. Um livro com os diagnósticos do projeto, que se debruça sobre dados dos últimos 15 anos, será lançado hoje. Aliás, a implantação de sistemas de irrigação também depende de energia de qualidade.
    – Há regiões onde poderiam ser implementados pivôs e isso não ocorre por causa da deficiência na energia – afirma o deputado estadual Ernani Polo, presidente da comissão durante a elaboração da radiografia.

  • Criação do Fundoleite explicada em detalhes

    O projeto de lei (PL) que cria o Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) no Estado estará em debate, na próxima semana, em reunião com deputados da Comissão de Agricultura da Assembleia. A ideia é esclarecer pontos da proposta.
    No mês passado, o governo retirou o caráter de urgência do projeto, depois que federações ligadas à produção, indústria e comércio pediram mais tempo para discutir o assunto. Uma das preocupações apontadas é com o modelo de gestão do fundo.
    – Estudamos a possibilidade de um fundo privado, mas se chegou à conclusão de que deve ser público para receber recursos do governo de forma sistemática – diz o consultor Ardêmio Heineck, que participou da elaboração do projeto na Câmara Setorial do Leite.
    Além do fundo, estão previstos, ainda, o Instituto Gaúcho do Leite – destino de 98% dos recursos do fundo – e o Programa de Desenvolvimento da Cadeia do Leite.

  • Oposição e situação fecharam acordo para a realização da eleição da Federarroz. São sete pontos de consenso que permitirão a votação em nova data: 12 de julho. Entre os itens, a aprovação de uma comissão eleitoral e a desistência das ações judiciais em andamento.

  • Os produtores brasileiros já negociaram 78% da safra de soja do último verão, o que corresponde a 64,48 milhões de toneladas do grão, segundo dados da Safras & Mercado. Em igual período do ano passado, o percentual era maior, 92%.

  • O projeto de lei que põe fim à obrigatoriedade de licenciamento e emplacamento de tratores foi aprovado na Câmara dos Deputados. A proposta segue agora para o Senado.

Fonte: Zero Hora