Indústrias do setor sucroenergético perdem R$ 2,5 bilhões por ano com falta de investimentos em novas unidades

Fonte:  Ruralbr

Segundo o presidente da Simantec, indústrias estão se mantendo através da ampliação da capacidade de produção de algumas unidades e de reformas de equipamentos

Eduardo Magossi

A indústria de máquinas, equipamentos e serviços voltada para as usinas de açúcar e álcool trabalha com capacidade ociosa média de 40% e perdas anuais que chegam aos R$ 2,5 bilhões diante da paralisação de investimentos em novas unidades produtoras de açúcar e etanol.

– Se até 2008 a nossa linha de produção registrava até fila de espera, atualmente estamos basicamente nos mantendo através da ampliação da capacidade de produção de algumas unidades e de reformas de equipamentos – diz Antonio Carlos Christiano, presidente da Simantec, empresa que produz equipamentos individuais para usinas e também unidades completas.

A crise financeira de 2008 limitou de forma expressiva a liquidez do setor sucroenergético, assim como a disponibilidade de crédito, provocando um acirramento do movimento de consolidação entre as usinas, ao mesmo tempo em que paralisou a construção de novas unidades.

– Sem novas usinas sendo construídas, ficamos limitados a serviços de manutenção e à entrega dos equipamentos que já estavam encomendados antes da crise – diz Sérgio Leme, presidente da Dedini Indústria de Base.

Segundo ele, após entregar neste semestre os novos projetos da ETH, não existem novas demandas do setor.

– Reduzimos nosso faturamento em R$ 1 bilhão por ano desde a crise – afirma. No geral, o setor faturava cerca de R$ 5,5 bilhões por ano, número que caiu para R$ 3 bilhões.

Descapitalização

Para o presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br), Adézio Marques, sem a demanda das usinas de açúcar e etanol, a indústria de equipamentos também está se descapitalizando.

– A maioria das empresas não consegue nem se diversificar, por conta da falta de capital existente no momento. Essas indústrias estão com seu faturamento em queda desde 2008 e muitas tiveram de se reestruturar de forma expressiva – afirma.

Empresas como a Dedini, a Simantec e a Planusi Equipamentos Agrícolas, por exemplo, reduziram o número de funcionários a partir de 2009.

– De dois mil funcionários, reduzimos para menos da metade. Quando estávamos iniciando um movimento de recontratação, em função de uma recuperação na demanda por manutenção de equipamentos, a nova crise chegou – diz Christiano, da Simantec. Segundo ele, atualmente, a empresa está apenas com 45% de sua capacidade instalada ocupada.

A Planusi, especializada em equipamentos para a produção de açúcar, também enfrenta uma capacidade ociosa perto de 50%.

– O maior problema existente neste momento é não haver uma expectativa de quando o setor sucroenergético vai voltar a investir – disse Vagner Stefanoni, presidente da empresa.

Marques, da Ceise BR, pondera que, ao contrário da crise de 2008, quando o principal fator de queda nos investimentos foi financeiro, hoje essa paralisação de deve a ma crise de confiança.

– Os investidores estão cautelosos diante da falta de uma política para o etanol. Veja, como o etanol vai competir com o preço da gasolina congelado? E no caso do açúcar, os investidores virão diante de ameaças de taxarem as exportações do produto? – diz.

Diferentemente das rivais, a Dedini até vem conseguindo se diversificar. A empresa já contava com segmentos de produção de equipamentos para os setores de energia, siderurgia, óleo e gás antes da crise de 2008.

– Mas, mesmo com a diversificação, somos muito dependentes do setor sucroalcooleiro. Cerca de 60% de nosso faturamento vem desse segmento – fala Leme. A Dedini vem trabalhando com 35% de sua capacidade ociosa.

Com a aproximação da entressafra, período em que as usinas fazem a manutenção e reforma de equipamentos, as indústrias de base esperam um reforço no caixa, vindo da demanda principalmente por serviços. Mas o Ceise BR já começa a pensar em alternativas.

– Se novos investimentos não surgirem em 2012, uma saída seria a exportação de equipamentos – diz Marques.

Agência Estado