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Indiana UPL amplia portfólio no Brasil

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Ana Paula Paiva / Valor

Castro: expectativa de aumento da receita com ampliação do leque produtos

Em meio a inúmeras mudanças no mercado mundial de agrotóxicos, a indiana UPL aposta em defensivos específicos para tratamento de sementes para ampliar sua presença no Brasil. A empresa entrou no segmento – que movimentou US$ 820 milhões na safra 2016/17 no país, segundo dados da consultoria Kleffmann – com inseticida registrado para as culturas de soja, milho, arroz, algodão, feijão, cevada, pastagens e trigo.

A UPL começou a produzir no Brasil em 2011 com a compra do controle da subsidiária brasileira do grupo alemão DVA, da qual herdou a estrutura fabril em Ituverava (SP). Mas a empresa já atuava no país desde 2003, comercializando produtos importados.

Segundo Rogério Castro, CEO da UPL no Brasil, o produto para tratamento das sementes – inseticida à base de fipronil com o nome comercial de Start – é o primeiro de um grande portfólio da empresa para o segmento. Em 2018, devem ser registrados mais dois produtos. "Ao longo dos próximos anos, devemos ter nove produtos. Hoje, são nove na fila de registro, além do Start", disse.

Os novos lançamentos devem ajudar a UPL a elevar em 6% sua receita na América Latina no ano que vem. No ano fiscal 2016/17 – de abril de 2016 a março de 2017 -, a UPL teve receita global de US$ 2,6 bilhões, dos quais 32% provenientes da América Latina.

No Brasil, fora o tratamento de sementes, o presidente da UPL vê mercado ainda a ser explorado principalmente no segmento de hortaliças e frutas, café e pastagem. Uma frente de negócios complementar da UPL que também vem crescendo no país é o de fertilizantes especiais – suplementares ao nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) -, que, atualmente, representam cerca de 6% dos negócios da indiana no Brasil.

A ambição da UPL era chegar em 2017 como a sétima maior no mercado de defensivos no país – era a 12ª em 2014. Em 2016, conforme dados da Allier Brasil, a empresa ficou na oitava posição, com vendas ao redor de US$ 466 milhões, ou quase 5% de um mercado total de US$ 9,56 bilhões.

Se a posição da UPL no mercado está em linha com a previsão de 2015, a receita da empresa está longe da projeção de US$ 1 bilhão. O mercado de defensivos como um todo caiu 22% no Brasil desde 2014, quando o faturamento do setor somou US$ 12,25 bilhões, conforme o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). O aumento das incertezas políticas e econômicas, a elevação dos estoques em distribuidoras e o avanço de defensivos ilegais frustraram as expectativas iniciais da UPL, reconheceu Castro.

Com a entrada em tratamento de sementes, a UPL passa a fazer parte de um nicho que cresceu 7% em 2016, enquanto o mercado geral de defensivos teve leve redução de 0,4%. E, de acordo com Rogério Castro, com isso a empresa poderá obter mais complementaridades de negócios com a Advanta Sementes, do mesmo controlador indiano.

Mais conhecida como uma empresa de defensivos genéricos (pós-patentes), a indiana tem investido também no desenvolvimento de produtos para o segmento de pulses – que inclui produtos como grão de bico, lentilha e feijões especiais, bastante consumidos na Índia. Há dois anos, a UPL fez uma parceria com a Embrapa para desenvolver variedades para a área.

De lá para cá, as sementes, já foram importadas da Índia e plantadas de forma experimental. "Estão saindo os primeiros resultados e já temos espécies que estão apresentando melhor produtividade aqui que na Índia", disse Castro. A ideia é desenvolver tanto sementes quanto defensivos para essas culturas serem produzidas aqui e, futuramente, serem exportadas para suprir a demanda indiana.

 

Por Kauanna Navarro | De Campinas

Fonte : Valor