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Impulsionada pela pecuária, Alltech projeta avanço no país

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Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
"Avicultura está perto do teto de aplicação de tecnologia", diz Clódys Menacho

Uma das principais fornecedoras de nitrogênio para a produção de ração para bovinos, a multinacional americana Alltech prevê crescer 30% no Brasil neste ano, informou ao Valor o diretor-geral da companhia no país, Clódys Menacho. De acordo com o executivo, a unidade da empresa no Brasil deve fechar o ano com um faturamento de US$ 130 milhões, ante os US$ 100 milhões do ano passado.

Carro-chefe da companhia, que também fabrica aditivos utilizados na alimentação de aves e suínos, a pecuária deve sustentar o crescimento projetado pela Alltech, segundo o executivo. "A avicultura passa por um momento difícil, e está perto do teto de aplicação de tecnologia", justifica Menacho.

No caso da pecuária, a companhia aposta em uma maior intensidade tecnológica na criação de animais a pasto e, principalmente, na expansão dos confinamentos no Brasil. A expectativa é que a participação dos animais terminados nesse sistema no número total de abates dobre nos próximos dez anos, passando dos atuais 10% (ou cerca de 4 milhões de cabeças) para 20%, conforme a consultoria Bigma.

"Pelas nossas contas, atendemos 2,7 milhões de cabeças por ano, enquanto o país abate cerca de 40 milhões. Além disso, o Brasil vai se tornar o maior produtor de carne do mundo", ressalta Menacho. De todas as vendas de nitrogênio da Alltech, cerca de 70% são destinadas aos confinamentos. O nitrogênio compõe o chamado sal proteinado, utilizado na alimentação nos períodos de seca no regime de engorda intensiva.

Atualmente, cerca de 40% das vendas da Alltech no Brasil estão concentradas no mercado de bovinos, enquanto a avicultura responde por 25% do faturamento e a suinocultura, cerca de 15%. O restante fica por conta das operações ainda incipientes nos mercados de aquicultura, equinos e animais domésticos (pets).

Fundada em 1980 pelo irlandês Pearse Lyons, a companhia com sede em Lexington, no Estado americano de Kentucky, aportou no Brasil em 1993. "Naquele ano, já se falava do potencial da agroindústria brasileira", relembra o boliviano Menacho, há 17 anos na empresa e responsável pela abertura dos escritórios da Alltech na Bolívia, El Salvador e na Guatemala.

Com atuação em 128 países e um faturamento da ordem de US$ 700 milhões no ano passado, a Alltech possui 31 fábricas de ativos para ração, distribuídas entre Estados Unidos, Brasil, Irlanda, México, Venezuela, China e Hungria. Segunda maior operação mundial da companhia, o Brasil conta com duas fábricas no Paraná, localizadas no municípios de Araucária e São Pedro do Ivaí, com produção total de 50 mil toneladas ao ano.

Desde 2005, o Brasil é uma importante plataforma de exportações para a Alltech. Naquele ano, a multinacional americana firmou uma joint venture com a Biotecnologia do Paraná, dona da usina de açúcar e etanol Vale do Ivaí. A parceria criou a maior fábrica de biotecnologia em nutrição animal do país, voltada para a produção de leveduras especiais, usadas como matéria-prima para a produção de ração animal. As leveduras são produzidas a partir do bagaço da cana. Atualmente, 60% das receitas da Alltech no Brasil são geradas com as exportações de leveduras, principalmente para os EUA. Em 2010, a empresa adquiriu a participação da Biotecnologia do Paraná na fábrica de São Pedro do Ivaí.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo