Importações chinesas de soja em grão perderam fôlego em agosto

Bastante aceleradas no primeiro semestre, as importações chinesas de soja em grão confirmaram as expectativas e perderam força em agosto. Conforme o serviço alfandegário do governo do país asiático, as compras da matéria-prima alcançaram 6 milhões de toneladas, 5,3% menos que no mesmo mês de 2013 – volume que ainda pode ser considerado robusto.

Principal origem da soja importada pela China neste ano, o Brasil manteve a posição de maior fornecedor em agosto, mas sentiu o baque da desaceleração. As exportações brasileiras para aquele país atingiram 4,3 milhões de toneladas e representaram quase 72% do total comprado pelos chineses, mas o volume foi 15,1% menor que o registrado em agosto do ano passado.

Já as compras chinesas de soja em grão produzida na Argentina aumentaram quase 60% na comparação e representaram praticamente todo o volume adicional, uma vez que os Estados Unidos não exportaram em agosto, auge da entressafra no país. Brasil, EUA e Argentina são os maiores exportadores globais da commodity, enquanto a China passou a responder por mais de 60% das importações mundiais nos últimos anos.

De acordo com o serviço alfandegário chinês, entre janeiro e agosto, as importações do país totalizaram 47,7 milhões de toneladas, 16,2% mais que em igual intervalo de 2013. Desse total, 25,3 milhões de toneladas foram originadas no Brasil, 5,8% que nos primeiros oito meses do ano passado. As compras chinesas de soja aumentaram 20,5% na comparação, para 3,6 milhões de toneladas. Dos EUA, seguiram para a China de janeiro a agosto 17,3 milhões de toneladas.

De acordo com as estimativas mais recentes do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) – que não levam em consideração os últimos dados divulgados pelo serviço alfandegário chinês -, a China importou, no total, cerca de 69 milhões de toneladas de soja em grão na temporada 2013/14, encerrada em 31 de agosto. Nesta safra 2014/15, cuja colheita está em andamento no Hemisfério Norte e cujo plantio já começou no Brasil, a previsão do USDA é que o volume total chegue a 74 milhões.

Apesar desse aumento considerável, o apetite chinês não tem sido suficiente para oferecer sustentação às cotações internacionais do grão, em virtude do aumento da oferta mundial, liderado por EUA e Brasil. Embalados pelos bons preços entre o fim do ano passado e o início deste, os produtores americanos ampliaram a semeadura e deverão colher uma safra recorde de 106,5 milhões de toneladas no ciclo 2014/15. No Brasil, a colheita deverá se aproximar de 95 milhões.

De 1º de agosto até ontem, os contratos futuros de segunda posição de entrega do grão acumulam queda de quase 15% na bolsa de Chicago, principal referência.

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Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott e Fernando Lopes | De São Paulo