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Importadores de menor peso anunciam barreiras

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Francisco Stuckert/Raw Image/Agência O Globo

O ministro Blairo Maggi: não foram identificados riscos à saúde humana

Embora importadores relevantes como China, Egito e Chile tenham retirado o embargo sobre a carnes brasileiras nos últimos dias, a lista de países com algum tipo de barreira aos produtos do país aumentou ontem – ainda que com compradores de pouco peso e com travas em geral temporárias ou concentradas nos 21 estabelecimentos investigados pela Polícia Federal do âmbito da Operação Carne Fraca.

Ontem, o Ministério da Agricultura informou que Peru, Bahrein, Marrocos, Santa Lúcia e Zimbábue, anunciaram suspensões temporárias à compra de carnes produzidas no Brasil. A Pasta também confirmou que a União Europeia ampliou para as 21 unidades suspeitas sua proibição, mas lembrou que por sua própria decisão elas já foram proibidas de exportar na semana passada.

No caso do Peru, a suspensão temporária afeta dois frigoríficos investigados, mas o país também informou que deixará de habilitar novas plantas brasileiras pelos próximos 180 dias. O Bahrein, por sua vez, comunicou a suspensão temporária de quatro plantas investigadas, de acordo com informações da embaixada brasileira na capital do país. Já Marrocos e Zimbábue suspenderam temporariamente toda a importação de carnes brasileiras, ao passo que Santa Lúcia suspendeu temporariamente as compras e anunciou recall de todas as carnes processadas do Brasil.

Mas, em meio a essa lista, o Irã, que é um importante importador de carne do Brasil, pediu mais informações ao Ministério da Agricultura sobre carnes produzidas no Brasil.

Também ontem, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, informou a jornalistas que, além das três primeiras interdições de frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca realizadas "preventivamente", mais três plantas foram interditadas posteriormente, já como resultado das auditorias especiais que o ministério começou a fazer na semana passada nos 21 estabelecimentos sob suspeita de irregularidades.

De acordo com Maggi, essas três novas plantas interditadas apresentaram "não conformidades" com as regras técnicas estabelecidas pelo ministério para a fabricação de alimentos. Entre elas estão a planta da empresa Souza Ramos em Colombo (PR), que produz embutidos de carnes, a da Laticínios SSPMA em Sapopema (PR) e a da Fábrica de Farinha de Carnes Castro no município paranaense de mesmo nome.

Como exemplo de "não-conformidades", o ministro citou que em uma das plantas foi encontrado uso de amido acima do percentual permitido na produção de salsichas. E numa das plantas de ração animal, havia produtos com data vencida.

Durante as auditorias, fiscais do ministério colheram 174 amostras em produtos fabricados nas 21 plantas, o que gerou 12 laudos técnicos. Esse resultado da fiscalização especial se refere aos três primeiros frigoríficos interditados: o da BRF em Mineiros (GO), e dois da Peccin – em Curitiba (PR) e outro em Jaraguá do Sul (SC).

"Quero dizer à população que até agora não achamos nenhum tipo de anormalidade que faça mal à saúde", completou o ministro. "E espero que as empresas que batalharam esses anos para levantar a imagem da carne brasileira voltem ao mercado agora para reconquistar esses canais."

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor