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Iguaria para poucos

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A assimetria tributária entre Brasil e Uruguai favorece a ovinocultura do país vizinho, que tem sido o maior fornecedor de carne ovina para o Brasil – isso quando não prefere exportar diretamente para os Estados Unidos. O Rio Grande do Sul, pela tradição na criação de ovinos (no passado, de raças laneiras, e, agora, de corte) e pela possibilidade de consórcio desta atividade com a pecuária bovina, poderia muito bem atender a demanda crescente de supermercados e restaurantes de São Paulo e Rio de Janeiro por esse tipo de carne. Mas, embora o abate clandestino no Estado seja menor do que no resto do Brasil, ainda é alto. A mortalidade de cordeiros a campo, também. Tudo isso, mais a carga tributária – que não incide sobre suínos e frangos – impede que a ovinocultura se torne uma opção economicamente atraente para pecuaristas e frigoríficos. E faz com que um corte nobre de cordeiro continue sendo uma iguaria para poucos.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho