.........

IGP-M se desacelera, com ajuda de produto agrícola

.........

Os produtos agropecuários deram a maior contribuição para a desaceleração do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de setembro, que passou de alta de 1,43% em agosto para aumento de 0,97% neste mês. A variação do índice, no entanto, foi superior ao avanço de 0,90% esperada pelo mercado, de acordo com a média das estimativas de dez economistas consultados pelo Valor Data.

No mês, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que pesa 60% no IGP-M, avançou 1,25%, 0,74 ponto percentual a menos do que em agosto. Para Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), produtos que foram afetados direta e indiretamente pelo choque de oferta do milho e da soja, em função da seca nos Estados Unidos, começam a ceder.

O milho, por exemplo, que havia registrado alta de 20,33% em agosto, agora aumentou de apenas 0,11%. Já a soja ainda teve variação forte, com avanço de 4,70% em setembro, embora tenha sido inferior à metade da variação observada no mês anterior (10,72%).

Nos frigoríficos, a reação defasada à escalada dos grãos ainda ocorre, embora a expectativa seja de que os alimentos processados, que avançaram 3,34% em setembro, também passem a perder fôlego nas próximas leituras. As aves, por exemplo, subiram 8,71% neste mês, mais do que o avanço de 5,27% no mês passado. Os bovinos são menos afetados pelo aumento da ração, mas tendem a reagir aos preços mais elevados por causa da substituição de consumo, que abre espaço para que frigoríficos e produtores reajustem preços. Os bovinos saíram de deflação de 1,20% para alta de 2,79%, enquanto a carne bovina subiu 6,10%, ante aumento de 0,6% no mês anterior.

Essas altas começam a chegar ao varejo. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor – Mercado (IPC-M) se acelerou para 0,49%, de 0,33% em agosto. O grupo alimentação passou de alta de 1% em agosto para avanço de 1,18% nesta leitura. As carnes bovinas, por exemplo, deixaram pequena deflação de 0,06% em agosto e subiram 2,32% nesta leitura do IGP-M, mesmo caminho do frango em pedaços (de 0,44% para 3,01%) e do pão francês (0,97% para 2,45%), afetado pela cotação do trigo.

O grupo que mais contribuiu para a aceleração da inflação, no entanto, foi o de transportes. No mês anterior, ainda por causa da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros, o grupo teve deflação de 0,34%. Em setembro, no entanto, transportes avançou 0,18%, contribuindo com 0,09 ponto da aceleração de 0,16 ponto do IPC registrada na passagem mensal.

A recomposição de preços de carros novos (de -0,49% para +0,54%) e usados (de -2,50% para +0,18) na passagem mensal, antes do fim da tarifa de IPI reduzida, diz Quadros, pode indicar que já há demanda mais firme por esses bens e a tendência é que, com o fim do incentivo, programado para outubro, as altas sejam mais fortes nos meses finais do ano.

Embora considere que o atual choque dos preços dos grãos seja menos intenso que outros episódios semelhantes ocorridos em 2007/08 e 2010/11, ele pondera que nessas outras ocasiões, o que também era um problema concentrado em alimentos acabou se espalhando e disparando alta de preços em outros segmentos. "Temos um conjunto de medidas de estímulo em curso, o que indica uma economia mais veloz em 2013", afirmou. Esse cenário, diz ele, é mais propício para que a inflação também seja mais elevada.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/brasil/2847922/igp-m-se-desacelera-com-ajuda-de-produto-agricola#ixzz27lkZBECV

Fonte: Valor | Por Tainara Machado | De São Paulo