IBGE dá partida a um Censo Agro menor que o planejado

Após sucessivos adiamentos por cortes orçamentários nos últimos anos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou ontem a fase de coleta de informações do censo agropecuário no país. Nos próximos cinco meses, 19 mil recenseadores vão a campo e visitarão cerca de 5,3 milhões de estabelecimentos do setor com questionários sobre produção, perfil de empregados, uso de irrigação e agrotóxicos, entre outros assuntos.

Inicialmente orçado em R$ 1,6 bilhão para ser executado ao longo de três anos, o Censo Agro 2017 é menor que o almejado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o instituto precisou redimensionar o censo para fazê-lo caber no do orçamento aprovado pelo governo, que prevê para os trabalhos R$ 505 milhões em 2017 e outros R$ 280 milhões no ano que vem.

Segundo Antonio Florido, gerente do Censo Agro 2017, os valores aprovados permitem realizar um censo de qualidade. Mas ele reconhece que haverá uma redução no volume de informações a ser coletado. Com menos recursos, menos recenseadores foram contratados e para cobrir os estabelecimentos agropecuários necessários, foi preciso reduzir o tamanho dos questionários.

"O questionário anterior levaria de uma hora e meia a duas horas para ser respondido. Estamos prevendo agora uma duração de 40 a 45 minutos. Com isso, os recenseadores conseguem visitar mais estabelecimentos", afirmou Florido durante o evento que marcou o início da coleta do censo, realizado ontem na sede do IBGE, no centro do Rio.

Segundo o engenheiro agrônomo, o que se perdeu foi no nível do detalhamento da pesquisa. O Censo Agro 2017 vai coletar, por exemplo, o número de bovinos e outros animais de cada estabelecimento agropecuário visitado por seus recenseadores, mas deixará de produzir informações sobre a faixa etária e gênero desses animais.

O Censo Agro contratou 28 mil temporários (incluindo recenseadores e supervisores) para realizar a coleta, ante 80 mil temporários previstos anteriormente. Para respeitar o orçamento, o IBGE também precisou cortar o número de bases locais durante a pesquisa, onde os recenseadores acessam a internet para enviar dos os dados coletados.

"Tivemos que reduzir esses postos. Mas preciso garantir que o recenseador tenha local para transmitir os dados, sem precisar ir a um posto em outro município. Por isso, procuramos prefeituras solicitando colaboração", disse ele, acrescentando que a coleta será inteiramente digital.

O Censo Agro 2017 vai subsidiar a criação de um novo cadastro de estabelecimentos agropecuários e do Sistema Nacional de Pesquisas Agropecuárias. Com isso, será possível o estabelecimento da Pesquisa Nacional por Amostra de Estabelecimentos Agropecuários – uma nova pesquisa que será realizada anualmente para captar dados pormenorizados sobre o setor.

Por Bruno Villas Bôas | De São Paulo

Fonte : Valor