É hora de incluir o cacto no cardápio, recomenda a FAO

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A Opuntia ficus-indica, subespécie comestível de cacto: cultivo em 26 países

Está na hora de colocar cactos no menu, especialmente nas áreas secas, como ocorre no Nordeste brasileiro. A recomendação é da FAO, agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, depois de reunião com especialistas. Para a agência, o cacto precisa ser considerado um ativo valioso para alimentação humana, forragem para o gado bovino e fonte de água. As folhas da planta estocam água. São capazes de fornecer até 180 toneladas de água por hectare, o suficiente para matar a sede de cinco vacas adultas.

A maior parte dos cactos não é comestível, mas a espécie Opuntia tem muito a oferecer, sobretudo se for tratada como uma cultura, e não como erva daninha selvagem, conforme a FAO. Os cactos, que a agência da ONU trata como fruta, são originários do México. A subespécie Opuntia ficus-indica, de origem agrícola, é cultivada em 26 países.

O Brasil tem mais de 500 mil hectares de cactos plantados para servir de ração para o gado, por exemplo, segundo a agência da ONU. A colheita de mais de 20 toneladas por hectare é comum em Israel e na Itália. Com irrigação, o rendimento pode chegar a 50 toneladas por hectare no México. Sua resistência tem sido comprovada como alimento de último recurso, como ocorreu durante a recente seca intensa que atingiu o sul de Madagascar. O consumo per capita no México de "nopalitos" é de 6,4 quilos por ano. Na Sicília, os cactos já têm espaço garantido na tradição gourmet da região italiana.

"A mudança climática e os crescentes riscos de secas são fortes razões para melhorar o status do cacto", diz Hans Dryer, diretor de plantas produtivas, em nota da FAO. Segundo Ali Nefzaoui, pesquisar do ICarda, Centro Internacional para Pesquisa Agrícola em Áreas Secas, na Tunísia o cacto é "uma das culturas mais proeminentes para o século 21". Mas a planta tem limites. A ficus-indica pode sobreviver a temperaturas de até 66 graus Celsius, mas sua capacidade fotossintética começa a diminuir acima de 30 graus.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor