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Harald investe para construir fábrica de chocolate na China

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A Harald, maior fabricante brasileira de cobertura de chocolate, terá unidade de produção na China no ano que vem. O investimento, da ordem de US$ 16 milhões, está sendo dividido em partes iguais com a Wilmar, empresa de agronegócios com base em Cingapura.

De pequeno porte, a nova fábrica está sendo erguida ao lado de uma unidade de óleos vegetais da Wilmar em Xangai. O início da produção está previsto para agosto de 2014, conforme Ernesto Ary Neugebauer, presidente da Harald.

Neugebauer afirma que as amêndoas de cacau para a produção de chocolates serão compradas na Indonésia e em países da África, enquanto o açúcar virá da Tailândia e da Austrália e o leite em pó, da Nova Zelândia.

Inicialmente, a produção deverá somar 8 mil toneladas de chocolate por ano, mas o volume poderá aumentar em um segundo momento. Na China, o consumo de chocolates é concentrado na população jovem, e a oferta ainda é tímida, mesmo entre grandes multinacionais que já atuam no país.

Os produtos que serão feitos pela Harald na unidade chinesa (barras de chocolate, chocolate em pó e chocolate a granel), a exemplo do que acontece no Brasil, serão direcionados ao segmento de "food service" – indústrias de alimentos, hotéis, padarias e confeitarias.

Além da burocracia para a abertura de uma unidade de produção em território chinês, a companhia brasileira enfrentará o desafio de atuar em um mercado onde o consumo per capita é estimado em apenas 100 gramas por habitante.

No Brasil, por exemplo, a média chega a 2,5 quilos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). "Mas ninguém quer ficar de fora da China", pondera Neugebauer.

A fábrica na China será a primeira unidade no exterior da Harald, cujas exportações representam 5% de seu faturamento – que deverá somar R$ 540 milhões em 2013, 15% mais que em 2012. Na mesma comparação, a produção total da empresa deverá aumentar 8%, para 72 mil toneladas.

A origem da Harald remonta ao fim do século XIX. Em 1891, o bisavô de Ernesto Ary Neugebauer abriu, no Rio Grande do Sul, a primeira fábrica de chocolates do país. Em 1981, a indústria Neugebauer foi vendida, e no ano seguinte começavam as atividades da Harald.

Há três anos, a companhia começou a trabalhar com chocolates especiais. Para isso, chegou a importar cacau, mas logo optou por matéria-prima nacional. Para garantir a qualidade necessária para um chocolate "gourmet", a Harald paga prêmios que variam de 50% a 100% sobre o valor de mercado da amêndoa comum.

O produto "gourmet", vendido com a nova marca Melken Unique, é feito com cacau de diferentes regiões da Bahia e do Pará. "Podemos e devemos fazer um bom chocolate brasileiro, temos condição de fazer um chocolate superpremium", afirma Neugebauer. Nesse caminho, a empresa também pretende elevar as compras de amêndoas com certificação de práticas sustentáveis. (CF)

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Fonte: Valor | Por De Belém