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Guerra faz parceria na área de sementes

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O grupo paranaense Guerra, que atua em vários segmentos do agronegócio, e a francesa RAGT, especializada em sementes, acabam de se unir em uma joint venture voltada ao desenvolvimento de genética para sementes de milho e trigo. A nova empresa desenvolverá sementes voltadas aos diferentes microclimas no Brasil.

A RAGT, que hoje fatura globalmente quase € 210 milhões apenas com sementes, realizou um aporte de valor não revelado no negócio de sementes de trigo do grupo paranaense, que tem atualmente uma receita de cerca de R$ 350 milhões somando todas as suas áreas de atuação.

Cada companhia passa a deter 50% da nova empresa, batizada de Guerra RAGT Melhoramento Genético do Brasil, que também expandirá sua atuação para o mercado de sementes de milho.

O primeiro laboratório da nova companhia já está pronto. Foi erguido com aporte de mais de R$ 75 milhões do Guerra em Pato Branco (PR), onde é a sede do grupo. O segundo laboratório será construído agora, em Rio Verde (GO), também com capital dos paranaenses.

A RAGT, por sua vez, contribuirá com tecnologias que já desenvolve na Europa, na Ásia e na Argentina, e deve trazer de seus laboratórios no exterior cientistas que já possuem conhecimentos em trigo.

A nova companhia entrará no mercado de milho comercializando suas sementes diretamente a revendas e produtores. Serão três produtos com a marca RAGT, com transgenia da Syngenta.

No segmento de sementes de milho, os primeiros passos serão tímidos, com expectativa de venda de 60 mil sacas de sementes no primeiro ano. "Mas, nos próximos anos, queremos rivalizar com grandes companhias do Brasil", diz Rodrigo Guerra, um dos sócios do grupo paranaense e presidente da joint venture. No segundo ano, a meta é chegar a 150 mil sacas e, em seis anos, a 500 mil sacas.

A incursão no mercado de trigo levará mais tempo. Nesse mercado, a Guerra RAGT será apenas uma desenvolvedora de variedades de sementes que serão licenciadas a empresas que vendem no varejo. As primeiras sementes com a tecnologia da empresa deverão chegar ao mercado na próxima safra. "Em trigo, o objetivo é ter a liderança desse mercado", afirmou o empresário ao Valor.

Inicialmente, o negócio de milho deverá representar a maior fatia do faturamento, já que a biotecnologia elevou exponencialmente o valor do produto. Nos cálculos de Guerra, quando a empresa vender 500 mil sacas de sementes de milho ao ano, a receita poderá alcançar R$ 200 milhões.

O grupo Guerra estava fora do segmento de sementes de milho desde 2014, quando vendeu suas ações em uma joint venture à então sócia francesa Limagrain.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte ; Valor