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Grupo São Martinho recebe crédito negociado com a IFC

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Após aproveitar a boa safra do setor sucroalcooleiro para engordar sua receita e elevar sua capacidade de produção (ver a matéria Empresa comemora o ‘melhor ano de sua história’), o grupo São Martinho fechou mais uma operação de crédito para garantir o equilíbrio financeiro e manter a capacidade de investimentos.

Ontem, a companhia recebeu o desembolso de um financiamento de US$ 90 milhões acertado junto à International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial. Deste montante, dois terços foram desembolsados pela própria IFC e tem prazo de pagamento de oito anos, com amortização inicial a partir do quarto ano, enquanto os outros US$ 30 milhões saíram do ABN-Amro e serão pagos em cinco anos.

"Esse financiamento não vem com um propósito específico, é mais para financiar o investimento de manutenção da usina", disse Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relação com investidores da São Martinho, ao Valor. Os recursos podem ser utilizados tanto nos aportes costumeiros na área industrial como na área agrícola.

A operação sucede uma recente emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), em abril, que resultou na captação e R$ 506,4 milhões. Segundo Vicchiato, as duas operações "equacionaram a dívida de curto prazo" da companhia.

Com a contratação da linha junto à IFC, 30% do endividamento do grupo ficará em moeda estrangeira, mas isso não é motivo de preocupação. De acordo com o diretor financeiro, o custo do empréstimo junto ao braço do Banco Mundial é mais barato do que qualquer contratação de crédito no mercado externo. Além disso, "mesmo havendo volatilidade de câmbio no curto prazo, o fato de ser uma linha de longo prazo nos dá bastante espaço para fazer a gestão da dívida", afirmou.

A recente alta do dólar, portanto, não é encarada como motivo de preocupação nem para a dívida da São Martinho nem para os custos, até porque a moeda americana ainda estava mais alta um ano atrás, observa Vicchiato.

O acerto com a IFC dependeu de diligências para garantir que a empresa estivesse adequada a parâmetros socioambientais do braço do Banco Mundial. Para o fundo, o aporte faz parte de uma visão estratégica para o agronegócio brasileiro, por se tratar de um setor com "capacidade de geração de emprego e por ser fortemente exportador, que gera divisas", segundo Luiz Daniel de Campos, executivo responsável por agronegócios da IFC Brasil.

Atualmente, a IFC tem uma carteira de US$ 620 milhões junto a empresas brasileiras do agronegócio, dos quais US$ 266 milhões estão alocados somente no segmento sucroalcooleiro. "Dentro do agronegócio, quem mais demanda capital de longo prazo é o setor de açúcar e álcool", ressaltou Campos ao Valor.

Fonte : Valor