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Grupo americano faz Cibra deslanchar no país

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Claudio Belli/Valor

Santiago Franco, presidente da Cibra: potencial de crescimento da empresa no mercado brasileiro ainda é grande

Com o objetivo de abocanhar 8% do mercado brasileiro de fertilizantes em cinco anos, a Cibra, do grupo americano Omimex, planeja investir US$ 80 milhões no Brasil até 2022. A companhia, com sede em Salvador, faturou R$ 1,3 bilhão em 2016.

Fundada em 1994, com o nome de Cibrafertil, pelo grupo Paranapanema, a empresa foi vendida em 2012 para o Abonos Colombianos (Abocol), braço de fertilizantes do grupo Omimex. Em 2014, as operações da Abocol na América Latina foram vendidas para a gigante norueguesa Yara, mas a Cibrafertil continuou com o grupo americano.

Segundo o colombiano Santiago Franco, presidente da Cibra – antes o executivo foi vice-presidente comercial da Abocol -, depois que essas mudanças ocorreram um ambicioso plano de crescimento foi deflagrado, e hoje a Cibra é quinta maior misturadora de adubos (fabricante de produtos finais) do país, com uma participação de 5%, segundo a Ama Brasil, entidade que representa as empresas do segmento no país. A líder é a Yara, com fatia de 24%.

Puxado sobretudo pela compra da Agroindustrial São Luiz (Agriter), em 2015, o faturamento da Cibra, que havia sido de R$ 70 milhões em 2013, chegou a R$ 1,3 bilhão no ano passado. Com as cinco unidades de mistura da Agriter, o volume vendido pela Cibra quase triplicou e chegou a 800 mil toneladas em 2015. No ano passado, o volume cresceu mais 62,5%, para 1,3 milhão de toneladas. E a previsão é de alta de mais 20% em 2017. A receita, conforme Franco, deve alcançar R$ 1,6 bilhão.

Na avaliação do executivo, ser grande, mas não gigante, pode ser considerado uma vantagem para a Cibra, já que seu potencial de expansão é bastante interessante "Temos uma estrutura operacional mais enxuta que as empresas maiores, mas escala relevante para competir", destaca Franco. Com vendas que já ultrapassam 1 milhão de toneladas por ano, a Cibra consegue negociar diretamente com os maiores produtores de matéria-prima.

"Os grupos maiores costumam ter processos mais rígidos e, muitas vezes, não conseguem responder rápido ao mercado. Não queremos isso", pondera. Assim, o plano é crescer em torno de 1 ponto percentual ao ano em participação de mercado, mas estacionar ao redor de 8%. De qualquer maneira, de acordo com ele a meta é dobrar o faturamento até 2022 e chegar ao patamar de R$ 3 bilhões.

Com mais acesso a capital para investir, graças ao controlador americano, o plano da Cibra é diversificar seus mercados no país. "Queremos ampliar a distribuição, entrar em algumas regiões em que ainda não estamos presentes", afirma Franco.

A Cibra tem uma fábrica de produção de superfosfato simples em Camaçari, na Bahia, e nove unidades misturadoras de formulação NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) espalhadas pelo país. A empresa está presente em todos os Estados do "Matopiba" – confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia -, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e, mais recentemente, Rio Grande do Sul. "Resta avançar em São Paulo e Minas Gerais", diz o presidente.

Segundo ele, esse avanço deverá acontecer por meio da construção de novas unidades de mistura, mas também com a aquisição de empresas regionais de menor porte.

A companhia também vê potencial de crescimento no segmento de fertilizantes especiais – que incluem fertilizantes orgânicos, organominerais, foliares, condicionadores de solo e substratos para plantas. A linha da Cibra nesse segmento representou 7% das vendas totais em 2016. Neste ano, a meta é dobrar a participação desses produtos, cujas margens são maiores, na receita.

Para a temporada 2017/18, as perspectivas não são tão favoráveis como em 2016/17. "Os produtores de grãos ainda estão atrasados na compra de insumos, principalmente por causa da queda de preços de commodities como soja e milho", lembra Santiago Franco.

Contudo, o executivo acredita ser muito difícil que as vendas de fertilizantes fiquem abaixo do recorde de 34 milhões de toneladas que foi registrado em 2016. "Não vejo muita chance de cair, mas o atraso gera gargalo logístico", comenta. De janeiro a maio, o volume de fertilizantes entregues aos produtores somou 10,2 milhões de toneladas, alta de 0,5% em relação ao mesmo período de 2016, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda).

O cenário de margens mais apertadas para o produtor deverá elevar a participação das operações de barter – troca de insumo por produção – nas vendas da Cibra. "Neste ano, o barter deverá representar pelo menos 30% das vendas totais", disse Santiago. Em 2016, a fatia foi de cerca de 25%. A empresa trabalha em parceria com tradings nessas operações. "Não pegamos diretamente o grão. É uma operação triangular". Segundo o executivo, não está nos planos da empresa eliminar a figura do intermediário nessas operações e receber diretamente os grãos.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor