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Grão escasso, venda estratégica

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Com 10% da soja já colhida no Estado, confirma-se a projeção de menor produtividade e baixa qualidade no grão. Diante da falta de matéria-prima, analistas preveem para 2012 um mercado interno aquecido e redução drástica nas exportações. Em época de frustração, saber negociar é um trunfo para recuperar perdas.
A estimativa é que a quebra na safra ultrapasse 50% da média histórica no Estado. Os pedidos de Proagro já passaram de 10 mil, segundo a Emater. Mas a seca não é generalizada devido à chuva irregular, que criou contrastes de produtividade. Na Serra, a média prevista é quase quatro vezes maior do que no Noroeste.
– Na nossa área, o melhor que está se colhendo são 10 sacos por hectare, de uma soja de péssima qualidade. Além de muito grão verde, a carga vem misturada com galhos e erva daninha, já que a gente precisa passar a máquina muito baixa, devido ao pouco tamanho da planta – conta Aldemir Machiavelli, 46 anos, que, junto com o irmão, cultiva 2,7 mil hectares da oleaginosa em Cruz Alta, no Noroeste.
No mercado, porém, escassez significa valorização. Por isso, cabe ao produtor encontrar o equilíbrio entre cautela e ousadia para escolher a melhor opção ao destinar a safra. Para a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/RS), o compromisso da indústria gaúcha com fornecedores tende a elevar o preço do grão.
– O produtor busca bons negócios, mas precisa ter uma gestão eficiente para avaliar o melhor momento de vender – alerta Tarcísio Minetto, economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro).

Fonte: Zero Hora