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Greenpeace deixa pacto firmado com frigoríficos

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Divulgação

O recém-revelado esquema de corrupção envolvendo a JBS levou o Greenpeace a anunciar um "divórcio" por tempo indeterminado com o frigorífico brasileiro. O grupo ambientalista irá anunciar oficialmente nesta semana a sua saída do Compromisso Público da Pecuária na Amazônia, assumido oito anos atrás com redes varejistas, Ministério Público Federal e os frigoríficos JBS, Marfrig e Minerva.

"Tendo em vista os escândalos de corrupção envolvendo o setor da pecuária e os recentes ataques aos direitos humanos e à proteção das florestas em curso no Congresso Nacional, o Greenpeace está descontinuando o seu envolvimento na implementação do compromisso", disse a ONG ao Valor.

Segundo Adriana Charoux, da campanha Amazônia, o atual ambiente político foi a "gota d’água" que levou à perda de credibilidade do setor como um todo. "Não é possível, com esse nível de instabilidade, sentar [com as empresas] como se nada tivesse acontecendo. Não há ambiente político para que a implementação do compromisso possa, de fato, ocorrer", disse.

Em 2009, JBS, Marfrig e Minerva – que representam hoje cerca de 70% de todo gado bovino abatido no bioma Amazônia -, assumiram compromisso público de não negociarem carne e couro com fazendas envolvidas em desmatamento, uso de trabalho escravo ou invasão de terras indígenas e áreas protegidas. As empresas firmaram também um termo de referência, no qual se comprometeram, com base nos mesmos critérios, a auditar e publicar a cada ano o resultado do esforço contra o desmatamento.

A ONG afirmou que, embora continue a acreditar que acordos de mercado possam ser uma ferramenta eficiente de controle para cadeias produtivas críticas na Amazônia, a efetividade do compromisso ficou comprometida. "Contudo, encorajamos fortemente que frigoríficos, supermercados e outras empresas atuantes no setor mantenham e aperfeiçoem os sistemas de monitoramento do desmatamento e demais crimes associados – trabalho escravo, invasão de terras indígenas e violência no campo – em permanente processo de fortalecimento dos seus critérios, incluindo, por exemplo, o controle imediato sobre os fornecedores indiretos".

O Greenpeace afirmou que continuará a denunciar e a expor os responsáveis pelo aumento do desmatamento relacionado com a pecuária na Amazônia e espera que, num futuro próximo, sejam restabelecidas as condições para retomar as dinâmicas de acompanhamento do compromisso.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte: Valor