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Granizo atinge 10 mil lavouras de tabaco no Sul

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Produtores notificaram perdas, mas ainda não é possível mensurar os prejuízos; colheita da safra 2017/2018 teve início na última sexta-feira (27) com perspectiva de uma leve queda na produção

Plantações de fumo no Sul do Brasil devem ter produtividade menor
Foto: Dreamstime

São Paulo – Mais de 10 mil produtores de tabaco notificaram a queda de granizo nas lavouras de tabaco ao longo do mês de outubro nos três estados do Sul do País, os principais produtores. As áreas mais atingidas estão no Rio Grande do Sul, mas as perdas na produção ainda não foram contabilizadas.

De acordo com o vice presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marco Antônio Dornelles, a incidência do granizo foi maior na região do Vale do Rio Pardo (RS), mas ainda é cedo para calcular os estragos no campo.

"No início de dezembro teremos melhores condições de avaliar como esses episódios afetaram a lavoura, já que a colheita estará mais avançada, mas acredito que sejam prejuízos pontuais", avalia o dirigente. "Se não tivermos outros problemas daqui para diante, tudo indica que a safra será boa", estima.

Segundo Dornelles, os trabalhos de colheita no campo ainda estão bem no início e devem se estender até fevereiro. No entanto, ainda há regiões em fase de plantio, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS), como o sul do Estado, onde o plantio das mudas de tabaco – no sistema tradicional e no direto na palha – chegou a 92% da área prevista, avanço favorecido por chuvas regulares nas últimas semanas, indica a Emater.

Para este ano, a estimativa é de que a produção nos três estados do sul seja 3% menor que a do ano passado, e atinja 684,9 mil toneladas. Considerando os demais estados brasileiros, a produção deve somar 693,2 mil toneladas de tabaco.

Entre as razões para a retração está a menor área cultivada com a cultura, estimada em 297,4 mil hectares para este ciclo no Sul e em 306,6 mil hectares em todo o País.

No ciclo anterior, foram cultivadas 299 mil hectares nos Estados do Sul do Brasil.

A produtividade estimada para a temporada 2017/2017 é de 2,3 mil quilos por hectare na região Sul. Na safra passada a produção por hectare chegou a 2,5 mil quilos por hectare. "Mas precisamos lembrar que esse é um patamar muito expressivo e acima da média", observa Dornelles.

A colheita do tabaco teve início na semana passada, com abertura oficial celebrada no município gaúcho de Venâncio Aires, importante região produtora, na última sexta-feira (27). Esta é a primeira vez que a cultura tem um evento comemorativo do início da colheita da safra. "É um momento de exaltação do produtor e da cadeia produtiva como um todo e que mostra a relevância do setor", afirma o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke.

Indústria

Na avaliação dele, mais importante do que a quantidade produzida, é a qualidade do tabaco, para que o Brasil atenda ao mercado externo, já que é segundo maior produtor do produto, atrás apenas da China e o maior exportador de tabaco em folha. No ano passado, o Brasil embarcou 483 mil toneladas de tabaco, segundo o SindiTabaco, com receita de US$ 2,1 milhões.

No mês de dezembro, indústria e produtores devem negociar os preços para a safra. A perspectiva da Afubra para este ciclo é que o 150 mil produtores que se dedicam à cultura recebam RS 5,9 bilhões, próximo dos R$ 6 bilhões obtidos no ciclo passado.

A associação ainda vai realizar uma pesquisa dos custos de produção, mas já se sabe que alguns itens como energia e mão de obra devem pesar um pouco mais no bolso do produtor neste ano. "Vai depender de como a economia vai se comportar. Se estiver ruim, há maior oferta de trabalhadores e os valores para contratação caem", explica Dornelles, da Afubra.

Além das preocupações com o clima, o setor está apreensivo com a votação no Superior Tribunal Federal (STF) sobre a proibição do uso de aditivos em cigarros. O tema entrou na pauta do STF neste mês, mas não chegou a ser votado.

"Se o STF decidir contra o uso dos aditivos, o que acontecerá é o aumento do contrabando", estima Schünke.

Marcela Caetano

Fonte: DCI