.........

Governo adia parte das respostas do Grito da Terra

.........

ANTONIO PAZ/JC
Sem novidades para o setor, evento no Piratini reuniu 150 produtores

Sem novidades para o setor, evento no Piratini reuniu 150 produtores

O governo do Estado postergou para o dia 12 de julho, data do lançamento do Plano Safra gaúcho, o anúncio das principais respostas da pauta do Grito da Terra, que haviam sido entregues pela Fetag em abril. A medida decepcionou parte dos 150 pequenos produtores rurais que foram ontem ao Palácio Piratini para receber a posição governamental em relação aos 60 pedidos realizados para 11 secretarias estaduais.
Conforme o presidente da Fetag, Elton Weber, a falta de um anúncio forte e o adiamento das respostas referentes à Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR) para o dia 12 fez com que o evento promovido pelo governo ficasse “meio vazio”. Para o dirigente, o documento entregue ontem pelo governador Tarso Genro atende a apenas um terço das medidas solicitadas pela entidade. “Ficou um vácuo de posicionamentos, mas entendemos que o governo fará parte dos anúncios no lançamento do Plano Safra”, explicou. 
Entre as principais medidas já atendidas pelo governo estadual, Weber destaca os auxílios para os produtores atingidos pela estiagem, o lançamento do programa de recuperação de solos com distribuição de calcário e a expansão do projeto Dissemina, para melhoria genética do gado bovino.  Já em relação aos pontos ainda não respondidos, o dirigente citou as questões referentes a licenciamentos ambientais em pequenas propriedades. No entanto, Weber afirmou que entende que essa pauta depende das negociações finais do Código Florestal, em Brasília. “Agora que recebemos as respostas do governo, vamos analisá-las com cuidado, e continuar negociando para ajustar aquilo que considerarmos necessário.”
Segundo o governador, o novo Plano Safra deverá atender às demandas do Grito da Terra, uma vez que será um pacote superior, em termos de crédito e investimentos, ao do ano passado. No balanço parcial da primeira edição de 2011 foi destinado R$ 1,1 bilhão em recursos próprios do Banrisul que, somado a recursos federais e a operações dos demais operadores, totalizou R$ 15 bilhões.
Entretanto, o governador reconheceu a necessidade de mais negociações em algumas pautas apresentadas pela Fetag. “Esse documento não esgota nosso relacionamento, vamos continuar dialogando e esperando contribuições do Grito da Terra.” Já o secretário de Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, afirmou que grande parte das pautas apresentadas já foram atendidas, especialmente em relação a auxílios para agricultores atingidos pela seca. “Já investimos R$ 170 milhões em ações para socorro da estiagem”, lembrou.
Ontem, Tarso Genro ainda assinou ontem  175 convênios, com 140 prefeituras, que preveem a liberação de R$ 13 milhões em projetos voltados à agricultura familiar, enfrentamento à estiagem, irrigação e incentivo à cadeia produtiva do leite. Referentes à Participação Popular e Cidadã (PPC), Irrigação e Infraestrutura Rural, os benefícios serão destinados principalmente a pequenos municípios. O governador disse que a medida – somada à captação de recursos junto ao Banco Mundial, BID e Bndes – faz parte do conjunto de ações de combate à estiagem. “Estamos fechando, com esses recursos e recursos próprios do Estado, R$ 170 milhões para o combate à estiagem”.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Ivar Pavan, os convênios servirão para qualificar e expandir a produção leiteira. “São convênios pequenos, mas a vantagem e a diferença é que são ações de governo que vão diretamente para a casa do agricultor, na sua propriedade, e servem para dar as condições para que ele possa se preparar para o futuro”, afirmou.

Fonte: Jornal do Comércio | Marcelo Beledeli