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Gisele Loeblein: rentabilidade da soja deve diminuir, mostra estudo

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Preços das commodities estão em queda, enquanto os custos sobem. Produtor terá de encarar ciclo de menor rendimento, aponta Fecoagro-RS

16/09/2014 | 21h46

Diante do cenário atual, com preços das commodities em queda e custos em alta, o produtor gaúcho começa a semear a próxima safra de verão sabendo que o volume de dinheiro na carteira vai encolher.

Depois de duas safras cheias combinadas com preços excelentes, terá de encarar um ciclo com menor rendimento, mostra levantamento feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS). Não caracteriza uma crise, mas certamente terá impacto na postura dos agricultores.

– É um cenário de ajustes.

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O produtor fez muitos investimentos e foi às compras. Temos preços menores das commodities, com tendência de que caiam mais, e insumos mais caros – avalia Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS.

Usando como base de cálculo a primeira semana de setembro, o estudo mostra o encolhimento da rentabilidade na soja, no milho e também no trigo, cultivado no inverno.

No custo total das lavouras, pesou o chamado ajuste técnico que teve de ser feito.

– Não são só insumos mais caros. É aumento de preço e da quantidade de tecnologia utilizada – pontua Tarcísio Minetto, economista da Fecoagro.

Em outras palavras, o número médio de aplicações feitas cresceu: de uma para duas dessecações, de duas para três aplicações de inseticidas e de duas para quatro aplicações de fungicidas.

– Produtividade elevada requer uso de mais tecnologia – diz Pires.

O rendimento será fundamental na matemática do próximo ciclo. Pelos cálculos da Fecoagro, o produtor precisará colher 40 sacas de soja por hectare para poder pelo menos zerar as contas de receita e custo. A média da cultura no ano passado foi de 44 sacas. No milho, serão necessárias 104 sacas por hectare, a média era de 85 sacas em 2013. E no trigo, 73 sacas, ante média anterior de 47 sacas.

Nessa equação, percebe-se que os produtores de milho e de trigo são os que terão maior dificuldade em fechar as contas.

Fonte: Zero Hora