Gisele Loeblein: quais serão os limites do trigo no RS

Expectativa é de diminuição da área cultivada, mas há diferença com relação aos percentuais

Gisele Loeblein: quais serão os limites do trigo no RS Henrique Silva Siqueira/Especial

Foto: Henrique Silva Siqueira / Especial

Com o plantio ganhando ritmo mais intenso a partir da segunda quinzena do mês, o trigo começará a ter seu espaço definido de forma mais clara no Rio Grande do Sul no atual ciclo de inverno. Se há consenso quanto à diminuição da área cultivada, há diferença com relação aos percentuais. Nesta terça-feira, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra do cereal apontou recuo de 10%, com 1,02 milhão de hectares.

Esse dado ainda não reflete a situação a campo. É elaborado a partir de manifestações e estatísticas do setor produtivo. A partir do dia 20, técnicos da superintendência estadual e de Brasília irão verificar os dados nas diferentes regiões do Estado – trabalho que será refletido no próximo levantamento da Conab.

Glauto Lisboa Melo Júnior, superintendente da Conab no RS, avalia que não deve haver grandes alterações no percentual:

– Há uma demanda das indústrias que acaba contribuindo para na última hora o agricultor tomar a decisão de plantar.

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Na semana passada, o primeiro mapeamento feito pela Emater indicou redução de 19,88% na área, inferior a 1 milhão de hectares.

– Esse dado mostra uma primeira intenção de plantio.

O que se diz é que ainda é possível uma alteração. Acredito que não se afaste muito disso – explica Luiz Ataides Jacobsen, assistente técnico estadual da Emater.

O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional de trigo – por vezes, intercalando o primeiro lugar no ranking com o Paraná.

É uma combinação de fatores que ajuda a explicar o freio no espaço dedicado à principal cultura de inverno no Estado, depois de dois anos seguidos de crescimento.

Além de encolher de forma significativa – o volume foi 52% menor –, a produção gaúcha em 2014 também teve problemas de qualidade devido à ação de fungos.

O valor do reajuste do preço mínimo, confirmado em 4,57% nesta semana, ficou bem aquém do esperado pelos produtores e também é visto como desestimulante.

Alternativas para manter o produtor incentivado têm sido apontadas por entidades do setor. A segregação – separação no momento da armazenagem de acordo com a variedade colhida – é uma delas. Em um país que ainda precisa trazer de fora entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de trigo, cultivar o cereal não deveria ser uma tarefa tão difícil.

Fonte: Zero Hora