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Gisele Loeblein: indicadores para medir a inflação do agronegócio

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Variações dos preços pagos ao produtor não são determinantes para o valor que o consumidor paga, ressalta economista-chefe da Farsul

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18/05/2015 | 21h23min

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Gisele Loeblein: indicadores para medir a inflação do agronegócio Anna Hoychuk/Shutterstock

Foto: Anna Hoychuk / Shutterstock

Ao se debruçar sobre dados do setor e criar dois indicadores de inflação do agronegócio– o índice de custos de produção (IICP) e o de preços recebidos (IIPR) –, a assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) reforça seu argumento em discussão antiga. Até onde vai o impacto do preço ao produtor no valor dos alimentos para o consumidor?

Ao cruzar os dois indicadores e compará-los com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a conclusão do economista-chefe da entidade, Antônio da Luz, é de que "as variações dos preços pagos ao produtor não são determinantes para o valor que o consumidor paga". Ou seja, não são definitivos para a inflação dos alimentos.

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– Esses índices servem para a sociedade entender que, quando está pagando mais pelo alimento, isso não reflete o preço recebido pelo produtor – afirma o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.

O argumento vem dos números. No acumulado de 2014, os preços recebidos pelo produtor acumularam queda de 6,72%. O IPCA Alimentos, no mesmo período, registrou alta de 8,03%. Então, o que está deixando os alimentos mais caros nas gôndolas dos supermercados? Além das questões macroeconômicas, itens como salários, energia elétrica, combustível e carga tributária estão pesando na composição dos preços finais, afirma o economista:

– O estudo reforça que tentar rebaixar o preço de produtos agrícolas para controlar a inflação simplesmente não funciona.

E é aí que entra a história do argumento. Em 2013, com oferta de trigo restrita nos tradicionais parceiros do Mercosul – o Brasil não é autossuficiente –, o governo federal isentou a tarifa externa comum de 10% cobrada para comprar o cereal de países de fora do bloco. A decisão tinha como justificativa a preocupação com a inflação.

Os índices calculados pela Farsul seguem a mesma metodologia do IPCA e terão divulgação mensal.

Fonte: Zero Hora