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Gisele Loeblein: grupo do agronegócio estadual entra com pedido de recuperação judicial

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Com sede em Santa Rosa, a Camera tenta superar crise e se volta às atividades originais de cerealista

18/09/2014 | 21h40

Além da Cotrijui, que na próxima semana colocará em votação a possibilidade de liquidação voluntária, outro importante grupo do agronegócio estadual recorre a uma intervenção na tentativa de reverter uma crise. A gaúcha Camera, com sede em Santa Rosa, entrou nesta semana com pedido de recuperação judicial na vara de falências, concordatas e insolvências da Capital. A solicitação passará agora pela análise de um juiz.

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Atualmente com capacidade para armazenar 1 milhão de toneladas, a Camera começou como negócio familiar há mais de 40 anos. Depois de se consolidar como cerealista, iniciou um ciclo de investimentos, que foi finalizado em 2011, para diversificar a produção. Uma das apostas foi em uma usina para processamento de biodiesel.

– Passamos a ser uma empresa mais industrial – observa Roberto Kist, diretor da Camera.

O pedido feito à Justiça pela empresa revela outro viés do cenário que tanto beneficiou produtores nos últimos dois anos, de safras cheias combinadas a execelentes cotações dos grãos no mercado internacional.

Depois de crescer, a marca deparou com os efeitos da seca, em 2012, que foi "uma tempestade", como descreve Kist. A colheita reduzida na América do Sul e a posterior quebra de safra americana diminuíram o volume de soja disponível, valorizando as commodities a patamares recordes.

Com preço atrativo, o caminho até o porto de Rio Grande se tornou mais vantajoso do que o processamento dentro de casa, o que dificultou a vida das indústrias locais.

Em janeiro deste ano, por exemplo, a Bunge anunciou o fechamento da unidade de processameno de soja em Passo Fundo. Alegou, então, fatores econômicos que influenciam o ambiente de negócio e que favoreciam a venda do grão em detrimento da industrialização.

A crise na Camera se consolidou em setembro do ano passado. Desde então, iniciou-se uma reestruturação da empresa, com enxugamento das atividades e do quadro de funcionários – que já foi de 1,7 mil e hoje é de 850 pessoas.

– Já vínhamos operando com um volume menor. Entendemos que não haverá impacto para o produtor – diz o diretor, sobre a decisão de pedir a recuperação judicial.

Da euforia de investimentos, a Camera se volta novamente às atividades originais de cerealista, com o argumento de não só colocar a casa em dia, mas também de preservar a relação de longa data com os produtores com os quais forma parceria – já foram mais de 28 mil.

Exemplos gaúchos mostram que é possível virar o jogo. E, embora a conjuntura, tanto da Cotrijui quanto da Camera, traga inquietação, a torcida é para que ambas passem sem trauma pelo processo de recuperação. Pelo bem da economia gaúcha.

Fonte: Zero Hora