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Gestoras compram parte da Ourolac

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Depois de conseguir reestruturar seus negócios e sair de um processo de recuperação judicial que durou cerca de oito anos, a goiana Ourolac, especializada no fornecimento de "soluções lácteas" para o mercado de food service, acaba de negociar a venda de uma participação em seu capital para dois fundos de investimentos, por R$ 90 milhões.

Segundo Geraldo Magela Camargo de Mello, CEO e presidente da Ourolac, os novos acionistas são as gestoras de private equity 2bCapital, do grupo Bradesco, e Siguler Guff & Company, sediada nos Estados Unidos. As partes mantêm a fatia adquirida em sigilo, Mas Mello afirma que o controle da companhia permanece nas mãos de sua família.

Segundo ele, o aporte, dividido em partes iguais entre os fundos, já foi realizado e servirá para fortalecer o caixa e financiar investimentos na ampliação da capacidade de produção e do portfólio. "Pretendemos triplicar de tamanho até 2020", afirmou Mello ao Valor. A empresa deverá faturar R$ 200 milhões este ano. Em 2016, a Ourolac registrou receita líquida de R$ 114 milhões e lucro líquido de quase R$ 10 milhões.

Além dos recursos, disse Mello, as gestoras de private equity também estão aportando "conhecimento estratégico" e colaborando para reforçar um processo de profissionalização iniciado após o pedido de recuperação judicial, apresentado aos credores em 2008. Esse processo já envolveu a contratação de profissionais de mercado, o estabelecimento de um conselho de administração e avanços em governança – em 2017, o balanço da Ourolac será auditado pela KPMG.

"Chegamos a ficar pré-operacionais em 2009. Em janeiro daquele ano, por exemplo, não faturamos nada Aprendemos muito com a recuperação judicial e agora estamos mais maduros. E não queremos saber mais de juros. Nossa alavancagem é zero", disse o controlador, que passou a acumular o cargo de presidente do conselho da companhia.

Independentemente das mudanças na gestão, o foco da Ourolac não mudou. A produção de queijos artesanais, que norteou a fundação da empresa, em 2002, foi abandonada em 2008 e, definitivamente, não está mais no radar. A ordem é expandir, no complexo localizado em Ouroana, nos arredores de Rio Verde (GO), a produção de cremes à base de lácteos destinados aos sorvetes, milk-shakes, drinques e ganaches, entre outros itens.

Para isso, afirmou Mello, não necessariamente o número de clientes, atualmente em cerca de uma centena, terá de ser ampliado, já que cada grande rede de fast-food conta como um. Nesse rol estão Burger King, Bob’s, KFC, Giraffas, Cinépolis e Cacau Show.

Esses clientes permitem não só que a Ourolac tenha uma atuação nacional como também comece a planejar com mais ambição sua presença no mercado internacional. Em razão da parceria com o Burger King, a companhia goiana já está presente no Uruguai. Mello afirmou que, no curto prazo, pretende fechar exportações para outros países da América do Sul, mas que no futuro planeja voos mais ambiciosos.

Se tudo correr como planejado, a Ourolac não descarta investir em uma nova unidade de produção, segundo o controlador.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor