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Geração eólica do Estado pode chegar a 245,3 GW

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Mapa da AGDI e Eletrosul aponta regiões para instalação de parques

Patrícia Comunello

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Novo Atlas Eólico do Rio Grande do Sul foi lançado no Palácio Piratini

Novo Atlas Eólico do Rio Grande do Sul foi lançado no Palácio Piratini

Os ventos são o limite. Esta é mais ou menos a mensagem do novo Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, lançado ontem no Palácio Piratini e que apontou potencial de geração da fonte de energia limpa de até 245,3 gigawatts (GW). A quantidade depende da altura, literalmente, das torres que se movem e alimentam os aerogeradores. O potencial estimado pode ser alcançado se o equipamento atingir 150 metros. Mesmo a 100 metros de altura, a geração já é de respeito, 102,3 GW, conforme o documento produzido pela Agência Gaúcha de Promoção do Investimento (AGDI) e Eletrosul.
Hoje, os 23 parques eólicos instalados podem produzir apenas 634 megawatts (MW). Os leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia (Aneel) projetam oferta de mais 1,4 mil MW até 2018, com implantação de projetos que arremataram lotes de fornecimento de energia.  Os 91 parques previstos somarão R$ 8,6 bilhões em investimentos, conforme a AGDI. Com todo o potencial em marcha, o governador Tarso Genro (PT) citou que o Estado assumirá a liderança na geração eólica na América Latina. O setor eólico é um dos 23 escolhidos como prioritários na política industrial do atual governo. O ramo também concentra maior volume de investimentos na carteira de Tarso, R$ 16,5 bilhões dos R$ 55 bilhões, entre aportes já executados, em implantação e em negociação. 
Um dos complexos a ser ativado em janeiro de 2015 fica em Santa Vitória do Palmar e pertence à Eletrosul. O presidente da estatal, Eurides Mescolotto, disse ontem, no evento que apresentou o atlas no Palácio Piratini, que a companhia tem projetos e estudos de novos empreendimentos e destacou que o documento dá parâmetros novos para atrair mais aportes. Mescolotto apontou que um dos gargalos no setor é completar a cadeia produtiva, com fábrica de aerogeradores. Projetos de fábricas acabaram sendo adiados, como o da argentina Impsa.
“Hoje, os parques do Nordeste ainda são mais competitivos, mas quando isso terminar o Rio Grande do Sul será insuperável”, diagnosticou o executivo, projetando a condição para dentro de cinco a 10 anos. A vantagem nordestina é assegurada pela proximidade de fábricas de equipamentos, o que permite ofertar energia mais barata nos leilões.  “A ampliação nos levará ainda mais longe”, acenou o secretário de Desenvolvimento, Mauro Knijnik. Felipe Ostermayer, gerente da Enerfin do Brasil, com parques em Osório (o primeiro a ser instalado no território gaúcho) e Palmares do Sul, citou que a projeção do estudo carimbou a aposta que o grupo fez no começo dos anos 2000. 
“Mais importante é que confirmou o potencial”, reforçou Ostermayer. A Enerfin responde hoje por 50% da geração local, com oferta de 373 MW, e mil MW entre projetos em andamento e novos. Investimentos de R$ 2 bilhões estão confirmados. O executivo indicou que gargalos locais estão em licenciamentos ambientais. O coordenador de energias e comunicações da AGDI, Eberson Silveira, ressaltou o detalhamento do novo atlas, que deve ser o mais completo no País. Dados das próprias geradoras ajudaram a mapear o padrão de altura das torres, além de dimensionar a viabilidade de produção em terra e offshore (oceano). Uma novidade, diz Silveira, foi a medição do potencial de geração acima de 30 MW em municípios.  Sudoeste, com 43,20 GW, e Sudeste, com 37,99 GW, despontam como opções para futuros negócios.

Tarso cobra ousadia das empresas e critica a necessidade de ‘reindustrialização’ gaúcha

No último pronunciamento que prometeu fazer sobre a área de desenvolvimento em seu governo, Tarso Genro (PT) cobrou mais ousadia dos empresários gaúchos e criticou a ideia de que o Estado precisa passar por uma reindustrialização. A tese foi defendida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor José Müller, ao fazer o balanço, na semana passada, sobre o saldo de 2014 e projetar o próximo ano na economia nacional. Tarso afirmou que o segmento confunde a ideia com as dificuldades de setores e que não compreende o que está ocorrendo na economia gaúcha.
O governador lamentou o pensamento ao considerar as ações na área de desenvolvimento de seu governo como “revolucionárias e que deram certo”. Tarso destacou o trabalho entre a SDPI e a AGDI e o saldo de R$ 55 bilhões em aportes, cerca de metade em operações e implantação. Também lembrou que foram distribuídos R$ 4 bilhões em incentivos fiscais por meio do Fundopem. O valor é o dobro do saldo do período de Germano Rigotto (2003-2006) e 161% superior ao de Yeda Crusius (2007-2010).
O governador disse que os empresários têm de se modernizar e se abrir à economia global. Tarso preveniu que “o empresariado gaúcho com visão autárquica e pequena ficará para trás” caso não compreenda as mudanças nas cadeias globais.

Fonte: Jornal do Comércio