Geração de caixa da São Martinho pode dobrar em 2016/17, para R$ 1 bilhão

O grupo sucroalcooleiro São Martinho calcula ter potencial para gerar um caixa operacional (Ebit) de R$ 1 bilhão na próxima temporada de cana-de-açúcar no Centro-Sul, a 2016/17, que começa em abril do ano que vem. O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Felipe Vicchiato, disse a investidores, em evento realizado ontem em São Paulo, que não se trata de uma projeção, mas de um cálculo simples, considerando o mesmo volume de produção deste ciclo 2015/16 e a manutenção dos preços atuais do açúcar e do etanol na próxima temporada.

Se esse cenário se confirmar, a geração de caixa operacional da empresa em 2016/17 vai dobrar ante os R$ 492 milhões de 2014/15, último número anual publicado pela companhia. "O potencial de gerar caixa com açúcar é de R$ 500 milhões no próximo ciclo. Com etanol, R$ 400 milhões, e com energia, R$ 120 milhões", detalhou o executivo. Ele considera nesses cálculos que os preços do açúcar vão permanecer no patamar de R$ 1,2 mil por tonelada e os do etanol (hidratado), de R$ 1,7 mil por metro cúbico. Até 30 de setembro deste ano, o grupo já havia vendido no mercado futuro 40% de sua produção de açúcar de 2016/17 ao preço médio de R$ 1,250 mil por tonelada.

"Também vemos um cenário muito bom para o etanol. Ainda que as cotações do petróleo estejam baixas, nossa visão é de que não há espaço para a Petrobras reduzir preços da gasolina no mercado interno, o que dará sustentação ao etanol", avaliou.

De qualquer forma, Vicchiato reconheceu que a previsibilidade de receita existente no mercado futuro de açúcar é muito maior do que a possível no mercado de etanol. Por isso, ele acredita que a safra 2016/17 terá um perfil de produção muito parecida com esta, mas com um viés um pouco mais açucareiro.

O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, pontuou, no entanto, que as usinas em situação financeira mais delicada tendem a continuar fabricando mais etanol, produto que gera receita mais imediata.

Sobre o movimento consolidação do setor sucroalcooleiro, Venturrelli observou que, ainda que o caixa da São Martinho ganhe mais robustez, a companhia não tem intenção de alocar recursos em aquisições de usinas. "Não há nada neste momento ativos que façam sentido, que tragam sinergia". A prioridade, reafirmou ele a investidores, é reduzir dívida e distribuir dividendos.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor