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Genesis recebe aporte do fundo britânico Actis

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Luis Ushirobira/Valor
Victorelli e Alves, fundadores da Genesis: planos de internacionalização e IPO

Com planos de internacionalização, a Genesis Group, companhia paranaense que realiza testes, inspeções e certificações para o setor agropecuário, acaba de receber um aporte de capital da Actis, gestora britânica de fundos de participações em empresas (private equity).

O valor do investimento e o faturamento da companhia não foram revelados, mas a empresa registra um crescimento médio acima de 15% ao ano, segundo Henrique Victorelli, sócio e um dos fundadores da Genesis. Em volume, a empresa será responsável neste ano por testes em mais de 40 milhões de toneladas de grãos, ou aproximadamente um quinto da safra brasileira.

Com 15 filiais, sete laboratórios e aproximadamente 1,2 mil colaboradores, a Genesis desenvolveu uma rede que permite a verificação dos produtos na origem, antes da chegada nos portos ou nas indústrias. "Em 2014, passaram por nós mercadorias destinadas a mais de cem países", afirma Victorelli.

A Genesis foi criada em 2001, a partir de uma necessidade crescente em um mercado globalizado: a garantia da procedência e qualidade dos produtos. A certificadora é uma empresa independente, que para atestar a qualidade dos produtos obtém uma série de "acreditações" de órgãos de normas técnicas em vários países.

Entre os clientes da companhia estão as gigantes internacionais do agronegócio conhecidas em conjunto como "ABCD" – ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus – e grandes processadoras nacionais de proteínas animais, como JBS e BRF. Os serviços da companhia se estendem até varejo, mais precisamente a redes de "fast food", que precisam ter o controle da cadeia de fornecedores de alimentos.

"As pessoas cada vez mais querem saber o que estão consumindo", afirma o executivo. Os principais concorrentes da Genesis são empresas internacionais, como SGS e BVQI, mas que atuam em outros setores além do agronegócio.

Embora a empresa seja relativamente nova, os fundadores da Genesis já atuavam no setor e decidiram criar a companhia ao detectar a demanda de produtores brasileiros. A certificação se tornou uma forma de "blindagem" contra barreiras não-tarifárias impostas por vários países conforme os produtos nacionais ganhavam mercado, segundo Rodrigo Alves, sócio da Genesis.

Com os recursos do fundo, a empresa pretende ampliar sua atuação internacional. A companhia já opera hoje no Paraguai, terceiro maior produtor de soja da América do Sul, e planeja cruzar inicialmente a fronteira para outros vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai. Os destinos internacionais planejados incluem China e Europa. No meio do caminho, a companhia não descarta uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na bolsa. "A empresa tem um perfil de atuação que pode se tornar global", afirma Alves.

A expansão internacional corre em paralelo com a atuação no país, que ainda tem muito espaço para crescer, segundo o executivo. A empresa vê potencial, por exemplo, no setor financeiro, grande fonte de recursos para o agronegócio. "Problemas ambientais e de destinação dos empréstimos passaram a ser tão importantes para os bancos quanto a capacidade de pagamento do devedor", diz.

Com uma vantagem competitiva "indiscutível" no país, o agronegócio é um setor que naturalmente atrai a atenção dos fundos de private equity, segundo Patrick Ledoux, sócio da Actis, que conta com um total de US$ 6 bilhões sob gestão. O investimento na Genesis é o segundo fechado pela gestora britânica no país nos últimos dois meses. Em novembro, a Actis anunciou um aporte em três corretoras de seguros e formou uma holding para atuar na área.

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Fonte: Valor | Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo